Rocha desaba em Capitólio (MG) e atinge lanchas; oito mortes foram confirmadas

Pelo menos duas pessoas ainda estão desaparecidas e 32 ficaram feridas; busca com mergulhadores foi interrompida por falta de luz natural

Ligia TuonAndré Rosada CNN

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O desabamento de uma rocha sobre lanchas na região de Capitólio, em Minas Gerais, deixou ao menos oito mortos no começo da tarde deste sábado (8).

Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento em que um grande bloco de pedras desaba na água do Lago de Furnas, ponto turístico da região. O incidente teria começado com uma “cabeça d’água” na região dos cânions, provocando o desabamento de pedras e estruturas rochosas, que atingiram ao menos três embarcações — 2 afundaram.

Pelo menos 32 pessoas ficaram feridos nesse acidente. Entre eles, 23 foram atendidas na Santa Casa de Capitólio com ferimentos leves e já foram liberadas. Outros dois feridos, com fraturas expostas, estão sendo atendidos na Santa Casa do município de Piumhi.

Três feridos estão sendo tratados na Santa Casa da cidade de Passos, mas não há informações do estado de saúde delas. Por fim, quatro vítimas estão sendo tratadas na Santa Casa de São João da Barra, com ferimentos leves.

Por volta das 21h, o tenente Pedro Aihara, porta-voz do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, afirmou que três pessoas ainda estavam desaparecidas. Durante a tarde, falava-se em 20 pessoas nessa condição. Aihara afirma que algumas dessas pessoas procuraram socorro por meios próprios e, por isso, ainda eram consideradas como desaparecidas. O tenente diz ainda que havia por volta de 70 pessoas fazendo turismo na região.

Por causa da falta de iluminação natural, o trabalho de busca feito por mergulhadores teve de ser interrompido. A previsão é de que a atividade seja retomada no domingo (9), entre 5h e 6h. Nesse período, diz o porta-voz, os bombeiros fazem um trabalho de inteligência junto aos hospitais da região e à Polícia Civil para tentar descobrir o paradeiro dos desaparecidos. “Tem vítimas que foram diretamente conduzidas ao hospital por meios próprios”, acrescenta.

O Corpo de Bombeiros retomou as operações de buscas por vítimas por volta das 5h da manhã deste domingo (9). Logo nas primeiras horas, o corpo de uma vítima foi encontrado, restando ainda duas pessoas desaparecidas.

Ainda não há previsão de quanto tempo irá durar o trabalho de buscas. Aihara estima, porém, que, pelo menos até a próxima segunda-feira (10), as equipes estarão por lá. Ele informou que algumas condições podem elevar o tempo de atuação das equipes, como no caso de haver vítimas presas embaixo do bloco de rocha, o que demandará o uso de equipamentos mais específicos e sofisticados.

Além do Batalhão de Operações Aéreas, mergulhadores estão atuando no local; veja imagens:

Aihara explica que há riscos de novos desabamentos, já que há rochas sedimentares na região. “É possível que haja novos acidentes, porque a água das chuvas penetra nas rochas, que têm menor resistência à ação da água e de vento”.

Muito procurada por turistas, a região de Capitólio tem cânions naturais, águas boas para navegação e diversão aquática. Além disso, a região é próxima de áreas urbanas, onde há estrutura de hotéis, pousadas e casas de veraneio para atender a demanda dos visitantes.

A recomendação do tenente é que, num momento de fortes chuvas, as pessoas mantenham distância segura de estruturas rochosas. “Essa  recomendação pode ser reavaliada após análise dos bombeiros”, diz.

A Marinha instaurou inquérito para investigar o acidente. Em comunicado, a Marinha informa que a Delegacia Fluvial de Furnas deslocou imediatamente equipes de Busca e Salvamento para o local para prestar o apoio necessário às tripulações envolvidas no acidente, no transporte de feridos para a Santa Casa de Capitólio e no auxílio de outros órgãos que atuam no local.

Por meio de nota, a empresa Furnas Centrais Elétricas declarou que “lamenta o ocorrido e se solidariza com as vítimas do acidente, familiares e amigos”. A companhia disse ainda que “está dando apoio às autoridades locais nas ações de socorro aos atingidos”. “A empresa esclarece que utiliza o lago para a geração de energia elétrica e que não é a responsável pela gestão dos usos múltiplos do reservatório, como atividades de turismo e lazer”, finalizou.

Cânion de Capitólio (MG)
Cânion de Capitólio (MG) / Reprodução/Google

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