Deolane e PCC: veja como é cadeia "superlotada" onde influencer está presa
Advogada detida em operação contra lavagem de dinheiro da facção está custodiada na Penitenciária Feminina de Sant'Ana, a maior prisão feminina de São Paulo e localizada ao lado do antigo Carandiru

A influenciadora Deolane Bezerra está presa na Penitenciária Feminina de Sant'Ana, na zona Norte de São Paulo, considerada a maior cadeia para mulheres de São Paulo. Segundo dados da SAP (Secretaria de Administração Penitenciária), a unidade está superlotada, ou seja, abriga mais detentas do que a capacidade permite.
A advogada foi levada ao local nesta quinta-feira (21) após ser detida em uma operação que a apontava como integrante de um esquema de lavagem de dinheiro do PCC (Primeiro Comando da Captal). De acordo com as investigações, ela seria um "verdadeiro caixa" da facção.
A CNN Brasil separou os principais detalhes da Penitenciária Feminina de Sant'Ana e te mostra como é a cadeia onde a influenciadora está presa. Veja abaixo:
Vizinha do Carandiru e superlotação
A casa de detenção feminina fica a cerca de 500 metros do antigo Complexo Penitenciário do Carandiru, palco de um espisódios de maior violência na história do sistema prisional do Brasil, quando 111 detentos foram mortos. O caso, em 1992, ficou conhecido como "Massacre do Carandiru".
De acordo com a SAP, a Penitenciária Feminina de Sant'Ana tem capacidade para 2686 detentas. No entanto, dados desta quarta-feira (20) mostram que ao menos 2825 mulheres estão custodiadas no local, o que indica superlotação da unidade.

A inauguração do presídio ocorreu no dia 8 de dezembro de 2005. Localizada na avenida General Ataliba Leonel, no Carandiru, a prisão tem uma área de 108 mil metros quadrados e funciona no sistema de regime fechado.
Além disso, fica ao lado do Parque da Juventude, local que foi construído para substituir o Complexo Penitenciário do Carandiru, demolido em 2002, 10 anos após o massacre do dia 2 de outubro de 1992, quando policiais militares invadiram o Pavilhão 9 sob a justificativa de combate à rebelião.
Deolane deixou a cadeia na capital por volta das 5h da manhã desta sexta e foi transferida para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, que fica a cerca de 670 km da capital. Segundo a SAP (Secretaria da Administração Penitenciária), a influenciadora chegou ao local por volta das 12h, ainda nesta sexta.
Prisão de Deolane
A influenciadora e advogada Deolane Bezerra foi presa preventivamente na quinta-feira (21) durante a Operação Vérnix, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) de Presidente Prudente, no interior de São Paulo.
Segundo as investigações, a operação mira um suposto esquema milionário de lavagem de dinheiro ligado ao PCC (Primeiro Comando da Capital).
"Nova face do PCC"
Em entrevista à CNN Brasil nesta quinta-feira (21), o promotor Lincoln Gakiya afirmou que Deolane faria parte da “arquitetura financeira” do PCC desde 2022.
Segundo ele, a influenciadora integra o que chamou de “nova face” da facção, formada por pessoas que não seriam integrantes batizadas do grupo criminoso, mas que ajudariam na movimentação financeira e lavagem de dinheiro.
No caso dela (Deolane), contas particulares foram usadas de forma ilegal para ocultar dinheiro. Ela não é uma integrante batizada do PCC, porém é uma peça fundamental
O promotor também declarou que Deolane mantinha proximidade com familiares de Marcola e Alejandro Camacho, incluindo participação em festas, viagens e encontros da família.
Bilhetes e início da investigação
O caso teve início em 2019, após a apreensão de manuscritos e bilhetes com detentos na Penitenciária II de Presidente Venceslau.
Segundo as investigações, os documentos descreviam dinâmicas internas do PCC e mencionavam uma “mulher da transportadora”, que ajudaria em ataques contra agentes públicos.
Esta "mulher" não teve a identidade revelada pela investigação. A partir disso, foram instaurados três inquéritos sucessivos.
O primeiro investigou os presos encontrados com os manuscritos. O segundo identificou a empresa Lopes Lemos Transportes, apontada como instrumento de lavagem de dinheiro da facção.
Já durante a chamada Operação Lado a Lado, a apreensão de um celular revelou conversas e comprovantes bancários que, segundo os investigadores, conectariam Deolane a Everton de Souza, conhecido como “Player”.
Segundo o documento, “foram encontrados comprovantes de depósitos destinados às contas vinculadas à investigada”. Para a polícia, esse conjunto de registros seria compatível com atuação operacional dentro da estrutura financeira investigada.
Próximos passos
A investigação segue sob responsabilidade do Gaeco de Presidente Prudente e da Polícia Civil de São Paulo.
Leia também: "Quem lava R$ 24,5 mil?", diz irmã de Deolane em nova publicação
Além das prisões preventivas, a operação também mira bloqueios patrimoniais, movimentações financeiras e empresas supostamente utilizadas para ocultação de recursos ligados ao PCC.
As defesas dos investigados se manifestaram ao longo do dia e negam irregularidades.
Outro lado
Em nota, a defesa de Deolane se manifestou na noite desta quinta-feira (21). Leia na íntegra:
"A defesa técnica da advogada dra Deolane Bezerra Santos vem, com o máximo respeito às instituições do Sistema de Justiça e ao Estado Democrático de Direito, prestar os devidos esclarecimentos sobre os acontecimentos que resultaram em sua prisão preventiva na data de hoje, 21.05.26: inicialmente ressaltamos a sua mais absoluta inocência, bem como, que os fatos serão devidamente esclarecidos por esta, em momento oportuno. Por hora e como o devido acatamento, consideramos desproporcionais as medidas firmadas em face de Deolane e esta banca de defesa seguirá cooperando tecnicamente com a Justiça para demonstrar a licitude de suas atividades na condição de advogada que é, confiando plenamente no discernimento, na razoabilidade e na imparcialidade do Poder Judiciário".
Pelas redes sociais, a advogada e irmã da influenciadora, Daniele Bezerra, afirmou que a nova prisão de Deolane significa uma perseguição contra a advogada. Veja nota na íntegra:
"Hoje, mais uma vez, tentam transformar suposições em verdades e manchetes em condenações. A prisão da Deolane Bezerra, sob alegações de participação em organização criminosa, nasce cercada de ilações, narrativas e perseguições que já se repetem há tempos. Acusar é fácil. Difícil é provar. No Brasil, infelizmente, muitas vezes primeiro se expões, se destrói a imagem e se condena perante a opinião pública...para só depois buscar provas que sustentem aquilo que foi feito. E isso é grave. Não se pode admitir que a Justiça seja usada como espetáculo, nem que pessoas sejam tratadas como culpadas antes do devido processo legal. Prisão não pode ser instrumento de pressão, marketing ou vingança social. Quem conhece a história, a luta e a trajetória dela sabe que existe uma diferença enorme entre fatos e narrativas criadas para alimentar ataques. Seguiremos confiando na verdade, na Justiça e no direito de defesa, porque perseguição continua sendo perseguição, mesmo quando tentam dar a ela outro nome."