Deolane presa em operação contra o PCC: o que se sabe sobre o caso
Trabalho da Polícia Civil de São Paulo também tinha mandado de prisão contra Marcos Camacho, o Marcola, já preso no interior do estado
A influenciadora Deolane Bezerra foi presa na manhã desta quinta-feira (21) em um condomínio de luxo em Alphaville, na cidade de Barueri, região metropolitana de São Paulo.
A "Operação Vérnix" foi deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e investiga uma ligação entre ela e o PCC. Marcos Camacho, o Marcola, líder da facção, também teve um mandado de prisão expedido. Porém, ele já estava preso em um presídio de segurança máxima no interior do estado.
O que se sabe sobre a operação
De acordo com as investigações, a mulher teria envolvimento com a principal facção criminosa do país, o PCC (Primeiro Comando da Capital). A influenciadora é suspeita de ocupar uma posição de destaque em um esquema de lavagem de capitais, com ramificações empresariais, patrimoniais e financeiras.
A operação cumpre seis mandados de prisão preventiva e mira, ainda, Marco Herbas Camacho (Marcola), que já está preso; Alejandro Camacho, Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, irmão e sobrinhos do líder da facção, respectivamente; além de Everton de Souza, vulgo "Player".
Esquema de lavagem
Investigações conduzidas pela Polícia Civil de São Paulo, em conjunto com o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do MPSP (Ministério Público de São Paulo), revelaram uma engrenagem financeira milionária utilizada para ocultar, dissimular e reinserir na economia formal valores vinculados à alta cúpula da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).
Em 2019, agentes da Polícia Penal apreenderam bilhetes e manuscritos no interior da Penitenciária II de Presidente Venceslau, que estavam com dois presos. Os conteúdos dos materiais revelaram algumas dinâmicas internas da facção, como atuação de lideranças encarceradas e possíveis ataques contra agentes públicos.
Veja: Investigação do Gaeco aponta ligação direta de Deolane Bezerra com PCC
Investigação começou em 2019
A prisão da advogada e influenciadora Deolane Bezerra na Operação Vérnix, deflagrada nesta quinta-feira (21), é o desdobramento de uma investigação iniciada em 2019. O estopim do caso foi a apreensão de manuscritos e bilhetes com dois detentos na Penitenciária II de Presidente Venceslau.
O material revelou dinâmicas internas do Primeiro Comando da Capital (PCC) e mencionava uma "mulher da transportadora" que auxiliaria em ataques contra agentes públicos.
A origem da investigação
A partir da análise das anotações, a polícia instaurou três inquéritos sucessivos para identificar a estrutura criminosa.
O primeiro focou nos detentos que portavam os manuscritos. O segundo identificou a empresa citada: a Lopes Lemos Transportes, sediada ao lado do presídio de Presidente Venceslau, e reconhecida judicialmente como instrumento de lavagem de dinheiro da facção.
Durante a fase ostensiva dessa apuração, denominada "Operação Lado a Lado", a apreensão de um aparelho celular revelou diálogos e comprovantes de depósitos bancários que conectavam a influenciadora a Everton de Souza, conhecido como "Player", gestor financeiro do esquema.
Leia também: Deolane Bezerra é investigada por promotor "jurado" pelo PCC
O papel de Deolane Bezerra
Segundo os investigadores, Deolane passou a ocupar posição de destaque no caso devido a movimentações financeiras expressivas e incompatibilidade patrimonial.
A apuração aponta que ela utilizava sua projeção pública e atividades empresariais para conferir aparência de legalidade a recursos ilícitos da cúpula da organização criminosa.
Relatórios indicam que contas de titularidade da advogada receberam valores provenientes da facção em contextos de fechamento de contas da organização.
Medidas judiciais e bloqueios
A Justiça determinou o bloqueio de ativos financeiros que superam R$ 327 milhões. Também foram alvos de sequestro 17 veículos de luxo, avaliados em mais de R$ 8 milhões, e quatro imóveis vinculados aos investigados.
Antes de ser detida no Brasil, Deolane teve seu nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol. A influenciadora estava em Roma, na Itália, e retornou ao país na véspera da operação.
Outro lado
Pelas redes sociais, a advogada e irmã da influenciadora, Daniele Bezerra, afirmou que a nova prisão de Deolane significa uma perseguição contra a advogada. Veja nota na íntegra:
"Hoje, mais uma vez, tentam transformar suposições em verdades e manchetes em condenações. A prisão da Deolane Bezerra, sob alegações de participação em organização criminosa, nasce cercada de ilações, narrativas e perseguições que já se repetem há tempos.
Acusar é fácil. Difícil é provar.
No Brasil, infelizmente, muitas vezes primeiro se expões, se destrói a imagem e se condena perante a opinião pública...para só depois buscar provas que sustentem aquilo que foi feito. E isso é grave.
Não se pode admitir que a Justiça seja usada como espetáculo, nem que pessoas sejam tratadas como culpadas antes do devido processo legal. Prisão não pode ser instrumento de pressão, marketing ou vingança social.
Quem conhece a história, a luta e a trajetória dela sabe que existe uma diferença enorme entre fatos e narrativas criadas para alimentar ataques. Seguiremos confiando na verdade, na Justiça e no direito de defesa, porque perseguição continua sendo perseguição, mesmo quando tentam dar a ela outro nome."
Defesa de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola
Bruno Ferullo, advogado de Marco Willians Herbas Camacho, vem a público esclarecer os fatos relacionados à Operação Vernix, deflagrada na manhã desta quinta-feira, 21 de maio de 2026, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) da comarca de Presidente Prudente, com apoio da Polícia Civil do Estado de São Paulo.
A operação se insere no âmbito de investigações sobre suposta organização criminosa e prática de lavagem de dinheiro, envolvendo alegadas movimentações financeiras incompativeis e conexões empresariais investigadas pelo Ministério Público.
É importante contextualizar que toda essa cadeia investigativa teve origem em julho de 2019, quando agentes penitenciários encontraram manuscritos descartados na caixa de esgoto de uma cela da Penitenciária Il de Presidente Venceslau, habitada por outros dois presos. Um desses bilhetes fazia menção a 'aquela mulher da transportadora', referência que a policia interpretou como indicativo de vinculo com uma empresa de transporte na região, a Lopes Lemos Transportes Ltda.
A partir dessa única menção, desdobraram-se investigações sucessivas que chegaram, anos depois, ao nome de Marco.
O cumprimento de medidas cautelares não implica, em nenhuma hipótese, presunção de culpabilidade.
As investigações atribuem a Marco, em tese, suposta participação nos crimes de integrar organização criminosa e lavagem de capitais - relacionados, segundo o inquérito, a movimentações financeiras de terceiros e um vinculo indireto com a empresa de transportes.
É fundamental deixar claro que estamos na fase de inquérito policial, que se apoia exclusivamente em 'indicios e 'suspeitas, expressões que, no direito, têm peso probatório limitado e que precisam ser submetidas ao contraditório antes de qualquer conclusão. É nessa fase que os fatos serão efetivamente apurados, com pleno exercício da ampla defesa.
Solicitamos à imprensa e à sociedade que garantam a presunção de inocência, direito fundamental do ordenamento juridico brasileiro, abstendo-se de conclusões precipitadas que possam prejudicar o andamento do processo e a imagem dos envolvidos antes de qualquer pronunciamento judiciall definitivo.
A CNN Brasil tenta contato com a defesa dos citados. O espaço segue aberto.


