Greve: presidente da CPTM diz que sindicato segue descumprindo decisão

Segundo Michael Cerqueira, trens operam com 40% da capacidade, mas Justiça determinou 80%; companhia e categoria devem se reunir às 12h para nova negociação

Giuliana Zanin, da CNN Brasil*, Nathália Lauxen, da CNN Brasil, em São Paulo
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O presidente da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), Michael Cerqueira, disse na manhã desta quarta-feira (5) que o Sindicato dos Ferroviários, que representa os trabalhadores da empresa, continua descumprindo a medida judicial que estabelece uma frota mínima de 80% em operação nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade.

Em conversa com a imprensa, Cerqueira informou que 40% do efetivo está funcionando e que somente 3% dos maquinistas está trabalhando.

Após a decretação da greve, na noite de segunda-feira (3), a CPTM acionou o TRT (Tribunal Regional do Trabalho), que estabeleceu que 80% do efetivo deveria funcionar em horários de pico e 60% nos demais períodos. O descumprimento da medida causaria uma multa diária de R$ 400 mil ao sindicato.

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Em relação às negociações, o presidente da companhia afirmou que passou a tarde de terça negociando com a categoria e que as possibilidades e os compromissos oferecidos pela CPTM e pelo Governo de São Paulo não estão sendo acatados. Segundo Cerqueira, há uma assembleia marcada para às 12h com o sindicato para discutir novos acordos.

O que diz o sindicato?

Luiz Júnior, diretor executivo do sindicato, afirma que a motivação da greve vai além de uma "reclamação trabalhista". "O que está em jogo é o transporte de qualidade de São Paulo", disse em entrevista à imprensa.

O sindicalista afirma que sugeriu ao governo do Estado que os funcionários voltassem ao trabalho se a CPTM proporcionasse catraca livre nas estações para a população. A partir disso, os sindicalistas continuariam negociando com os órgãos envolvidos, "para que ninguém seja prejudicado".

Sobre a multa relacionada ao descumprimento da medida judicial, o diretor executivo considerou a ação "controversa", uma vez que, para eles, o percentual do efetivo está sendo seguido.

A CPTM reforçou que não há nenhuma demissão em curso no processo de concessão e que a manutenção dos empregos foi garantida pelo governo às lideranças do sindicato — termo registrado em ata da reunião realizada no dia 3.

Segundo o governo, dos 4.648 funcionários, 2.171 estão na Linha 10-Turquesa e os demais foram realocados para o Metrô, Artesp, Arsesp e outros órgãos.

Segundo dia de greve

O Sindicato dos Ferroviários decidiu manter a paralisação nesta quarta. Segundo os grevistas, o Governo do Estado de São Paulo não cumpriu com uma das exigências da categoria, que é a garantia concreta de preservação dos empregos de todos os funcionários da empresa mesmo com a privatização de linhas.

Em resposta, o governo estadual disse que o sindicato decretou a greve mesmo após a administração se comprometer a não fazer nenhuma demissão durante o período de realocação de funcionários da CPTM.

Nesta quarta, segundo dia de greve, as linhas de trem 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade continuam operando com impactos.

Segundo a CPTM, a Linha 11, que liga as estações Estudantes e Palmeiras-Barra Funda, está operando apenas entre Guaianases e Palmeiras-Barra Funda. A Linha 12, que liga Calmon Viana ao Brás, funciona entre Engenheiro Goulart e Brás.

A Linha 13-Jade opera normalmente desde às 6h, mas conta com apoio do sistema Paese (Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência) para ajudar na circulação das pessoas. De acordo com a CPTM, os trens operam com intervalo maior do que o normal, de 30 minutos, entre as estações Engenheiro Goulart e Aeroporto-Guarulhos.

Por conta da greve, a prefeitura suspendeu pelo segundo dia consecutivo o rodízio de veículos na capital.

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo