PF mira tráfico internacional de drogas ligado ao PCC em São Paulo

Operação Expurgo pretende desarticular a estrutura logística e financeira da facção; 12 mandados de prisão foram expedidos pela Justiça Federal

Felipe Souza e Rafael Saldanha, da CNN Brasil, Julia Farias, colaboração para a CNN Brasil, em São Paulo
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A PF (Polícia Federal) deflagrou, na manhã desta terça-feira (20), uma operação contra uma organização criminosa ligada ao PCC (Primeiro Comando da Capital) e envolvida no tráfico internacional de drogas.

A ação denominada como Operação Expurgo pretende desarticular a estrutura logística e financeira do PCC no tráfico internacional de drogas.

Ao todo, devem ser cumpridos 12 mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão, expedidos pela Justiça Federal, nas cidades de Piracicaba, Limeira, Americana, Santa Bárbara d’Oeste, Botucatu e São Paulo, além de Corumbá, na região pantaneira de Mato Grosso do Sul.

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Segundo informações da PF, parte dos investigados já se encontrava presa em razão de mandados preventivos, prisões em flagrante ou condenações definitivas por crimes relacionados ao tráfico de drogas.

Um dos suspeitos, localizado em Santa Bárbara do Oeste, foi capturado e teve o mandado de prisão preventiva cumprido. O segundo suspeito localizado fugiu para uma área de mata de Limeira, onde ocorreu um confronto e o criminoso foi baleado, que foi atendido, mas morreu devido aos ferimentos. Dois alvos da operação seguem foragidos.

Durante o cumprimento de um dos mandados, com um dos presos, foram apreendidos um revólver, duas pistolas e um fuzil, além de R$ 75 mil e três celulares escondidos em fundos falsos de móveis.

Investigação

As investigações tiveram início após uma prisão em flagrante ocorrida em janeiro de 2025, em Limeira, quando 15 pessoas de nacionalidade boliviana foram detidas. Na ocasião, foram apreendidos cerca de 17 quilos de cocaína.

Segundo a Polícia Federal, o grupo integrava um esquema vinculado ao PCC, com atuação dentro e fora do sistema prisional.

Conforme a apuração, imigrantes eram cooptados para atuar como “mulas” do tráfico, recebendo cerca de R$ 2 mil para ingerir ao menos 50 cápsulas de cocaína e transportar a droga no próprio organismo. Um dos presos chegou a engolir mais de 120 invólucros. Entre os detidos havia dois adolescentes com documentos falsos e uma gestante.

A droga era trazida de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, e transportada por ônibus até São Paulo. Em seguida, os envolvidos eram levados para chácaras no interior paulista, onde expeliam a cocaína, que depois era distribuída para pontos de venda controlados pela organização criminosa.