Policiais acreditavam que bodycams estavam desligadas em execução em SP

Imagens mostram agentes atirando contra homem que estava rendido; caso aconteceu durante operação na comunidade de Paraisópolis

Adriana De Luca, da CNN, em São Paulo
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As câmeras corporais dos policiais militares que mataram Igor Oliveira de Moraes não teriam sido acionadas por eles e sim por outro agente que estava próximo da ação, segundo uma fonte da PM, ouvida pela CNN.

Quando o agente acionou o equipamento, todas as bodycams próximas, em um raio de 20 metros, teriam ligado automaticamente por bluetooth e retrocederam 1 minuto e 30 segundos, armazenando todo o material.

A suspeita é de que os PMS, portanto, acreditavam que os equipamentos não estavam gravando no momento da execução.

Nas imagens, que mostram toda a ação, é possível ouvir os PMs falando “as COP, as COP”, fazendo referência às câmeras corporais dos agentes.

Os policiais usavam o modelo novo de câmeras corporais, incorporado pela PM, recentemente. A nova tecnologia permite a gravação intencional, ou seja o PM tem que ativar o equipamento. O acionamento também pode ser remoto, feito pelo Copom, em determinadas situações.

As imagens mostram o momento em que os agentes atiram contra um suspeito que estava rendido, com as mãos na cabeça.

O vídeo, ao qual a CNN teve acesso, mostra quando os agentes entram na residência. Num primeiro momento, o PM abre a porta e Igor Oliveira de Moraes Santos aparece atrás da cama com as duas mãos na cabeça. O PM que estava dentro do cômodo atira duas vezes. Igor se abaixa e os tiros pegam na parede.

Na sequência, o PM entra no quarto e manda o suspeito se levantar. Igor aparece na imagem com uma mão para cima e ao se levantar, o agente atira contra ele. Em seguida , outro militar também dispara atingindo o suspeito que cai no chão.

Os dois policiais que atiraram, Robson Noguchi de Lima e Renato Torquatto da Cruz, foram presos em flagrante, depois da análise das imagens. Segundo a PM, elas mostraram que a abordagem "não foi dentro dos padrões, dentro das excludentes de licitude".

O coronel Emerson Massera, chefe de comunicação da PM de São Paulo, afirmou que houve erro de conduta dos policiais. "Quando há erro, a gente corrige. Nossa instituição tem o compromisso com o acerto. Assim que verificamos que os policiais não agiram dentro das excludentes de ilicitude, foram autuados", disse.

No último sábado (12), o governador do estado, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também comentou o caso. "Com análise das câmaras, a gente viu que houve desvio (de conduta). Os dois policiais vão ser indiciados por homicídio doloso, vão ser apresentados à justiça e vão responder pelo crime que cometeram. E vai ser assim sempre", afirmou o governador.

Relembre o caso

A comunidade de Paraisópolis, na zona sul da capital paulista, viveu uma noite de caos na quinta-feira (10) após uma operação da Polícia Militar que resultou na morte de dois homens e na prisão de outros três suspeitos.

Vídeos mostraram ruas tomadas por manifestantes, automóveis depredados e incendiados, objetos queimados e o trânsito paralisado. Em meio à confusão, moradores fecharam vias, atearam fogo em objetos e soltaram fogos de artifício.