Preso acusado de matar a esposa PM, tenente-coronel passa mal no presídio
Oficial havia acabado de preencher a requisição como preso comum quando afirmou que estava há dias sem dormir e com fortes dores no peito; ele é réu no processo que apura a morte de Gisele Alves Santana
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto passou mal ao ser levado novamente ao Presídio Militar Romão Gomes depois de passar por audiência de custódia e ter sua prisão mantida, na última quinta-feira (19), pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.
Conforme apurado pela CNN Brasil, ele havia acabado de preencher a requisição como preso comum quando relatou estar há dias sem dormir, com fortes dores no peito e pressão alta.
O oficial foi encaminhado ao Hospital Policial Militar, onde recebeu atendimento médico. Ele foi orientado a retornar nesta sexta-feira (20) para nova avaliação. Após ser medicado, foi liberado e levado de volta ao Presídio Militar Romão Gomes.
A CNN Brasil entrou em contato com a defesa do tenente-coronel, que informou não ter conhecimento do ocorrido.
Acusado de matar a própria esposa
A Polícia Civil cumpriu, na quinta-feira (19), um novo mandado de prisão preventiva contra o oficial no inquérito que investiga a morte de sua esposa, a policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos.
Ele já estava preso no Presídio Militar Romão Gomes em razão de um mandado expedido pelo Tribunal de Justiça Militar na quarta-feira (18).
Por se tratar de um caso envolvendo policiais militares, a investigação tramita em duas frentes: na Justiça Militar e na Justiça comum.
O tenente-coronel tornou-se réu após o Tribunal de Justiça de São Paulo aceitar denúncia do Ministério Público, que o acusa de feminicídio por motivo torpe e com recurso que dificultou a defesa da vítima, além de fraude processual, por supostamente tentar simular um suicídio após o crime.
O Ministério Público de São Paulo solicitou a redistribuição do processo para a 5ª Vara do Tribunal do Júri da Capital, por entender que se trata de crime doloso contra a vida.
O juízo de garantias acolheu o pedido, considerando que as evidências periciais — como marcas de agressão e um disparo pelas costas — indicam a inviabilidade da tese de suicídio.
A defesa do tenente-coronel afirma estar “estarrecida” com a manutenção das duas jurisdições e informou que ingressou com reclamação no Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra decisão da Justiça Militar. Além disso, em nota enviada o advogado de Geraldo reafirmou a confiança nas autoridades e reiterou que o réu aguarda o completo esclarecimento dos fatos. Leia na íntegra:
"O escritório de advocacia MALAVASI SOCIEDADE DE ADVOGADOS, contratado para assistir o Tenente-Coronel GERALDO LEITE ROSA NETO no acompanhamento das investigações relativas ao suicídio de sua esposa, vem a público prestar esclarecimentos.
Ante o recente decreto dúplice de prisão do Tenente-Coronel pelos mesmos fatos tanto perante a Justiça Militar quanto pela Justiça Comum, a defesa encontra-se estarrecida pela manutenção da competência de ambas as jurisdições.
Informa que sabedor dos pedidos de prisão em seu desfavor desde a data do dia 17/3 não só não se ocultou, como forneceu espontaneamente comprovante de endereço perante a Justiça, local onde foi cumprido o mandado de prisão, ato ao qual, embora manifestamente ilegal pois proferido por autoridade incompetente, não se opôs, tendo mantido a postura adotada desde o início das apurações de colaboração com as autoridades competentes.
Informa, por fim, que já ajuizou Reclamação perante o STJ contra o decreto oriundo da Justiça castrense e que estuda o manejo de habeas corpus quanto à decisão da 5ª Vara do Júri da Capital.
Reitera que seguem sendo divulgadas informações e interpretações que alcançam aspectos de sua vida privada, muitas vezes por meio de conteúdos descontextualizados, ocasionando exposição indevida e repercussões que atingem sua honra e dignidade. A intimidade, a vida privada, a honra e a imagem constituem direitos fundamentais assegurados pela Constituição Federal (art. 5º, X), razão pela qual a divulgação de elementos pertencentes a essas esferas encontra limites nas garantias constitucionais, sendo certo que, no momento oportuno, sua equipe jurídica irá reprochar toda e qualquer divulgação ou interpretação que venha vilipendiar tais direitos em relação ao Tenente-Coronel.
Por fim, o escritório reafirma sua confiança na atuação das autoridades responsáveis pela condução das investigações e reitera que o Tenente-Coronel aguarda a completa elucidação dos fatos".
Entenda o caso
De acordo com a denúncia, o crime ocorreu em 18 de fevereiro de 2026, no apartamento do casal, no bairro do Brás. Após uma discussão motivada pela decisão da vítima de se separar, o acusado teria efetuado um disparo de arma de fogo contra a cabeça da esposa.
A investigação aponta ainda que o oficial tentou simular um suicídio, manipulando a cena do crime. Segundo o MP (Ministério Público), ele posicionou a arma na mão da vítima e alterou elementos do local para induzir erro na apuração dos fatos.
Laudos periciais também indicam inconsistências na versão apresentada pela defesa. Há registro de sangue nas roupas do acusado, além de evidências de que ele teria tomado banho após o crime para eliminar vestígios.
Para o MP, o homicídio foi cometido por motivo torpe, ligado ao sentimento de posse e à recusa do acusado em aceitar o fim do relacionamento. A denúncia também aponta que a vítima foi surpreendida, sem chance de defesa, o que agrava o crime.
*Sob supervisão de AR.


