Volatilidade marca mercados nesta quinta; indicadores são destaque no Brasil

Com alta de incertezas, mercados operam instáveis nesta quinta-feira (10); no Brasil, dados do comércio e criação de empregos são destaque

Thais Herédiada CNN

Em São Paulo

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Volatilidade parece pouco para qualificar o movimento dos mercados nesta guerra na Ucrânia. Petróleo, bolsas, moedas, minerais, grãos — não há um ativo que escape de uma montanha russa imprevisível.

Num relatório publicado ontem, Ethan Harris, economista global do Bank of America, assumiu uma quase impotência para elaborar cenários prováveis. O pressuposto do banco é de muitos meses de alta incerteza, preços altos de energia e baixo crescimento.

O encontro dos ministros da Ucrânia e da Rússia na Turquia terminou sem acordo e com versões antagônicas sobre os fatos. Foi o gatilho para reverter o ânimo e devolver a recuperação de ontem.

As bolsas da Europa e futuros em Nova Iorque estão em queda e o petróleo voltou a subir. Mesmo diante da imprevisibilidade, a indústria automobilística avisou: já começou a faltar peças.

O CEO mundial da Volkswagen disse que o efeito da guerra nas cadeias produtivas pode ser pior do que da pandemia. A Porsche suspendeu produção de um modelo por falta de peças vindas da Ucrânia.

Entre tanta incerteza, há uma convicção: a inflação vai subir e será persistente. Daqui a pouco sai a decisão do banco central da Europa que deve ser a de manter a taxa de juros em zero e o programa de compra de títulos com receio dos efeitos da guerra na atividade econômica na região.

O índice de inflação dos Estados Unidos de fevereiro também sai pela manhã e o governo americano já avisou que será alto, pode chegar mais perto de 8%.

Brasil

No Brasil, há volatilidade nos mercados também, mas a confusão parece mais apropriada para definir o debate sobre os preços dos combustíveis.

Sem solução e sem projeto avançando no Congresso, o governo vai alternando a ordem dos fatores esperando encontrar o mesmo resultado: uma fórmula para evitar repasse da alta do petróleo para o diesel e a gasolina.

Pressão vindo também “de dentro”. Relato de conselheiros da companhia à Bloomberg mostra desconforto do board com a demora no reajuste dos preços. O risco de abastecimento voltou a rondar as distribuidoras.

Entre a guerra e o bate cabeça doméstico, o mercado se mostra mais inclinado a repercutir o risco externo.

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou nesta manhã o resultado do comércio em janeiro, alta de 0,8%, acima do esperado. Na comparação anual o resultado é de queda de 1,9%. O varejo ampliado caiu 0,3%, melhor que a expectativa de recuo acima de 1%.

A curva de juros abriu em alta refletindo revisões para a Selic – a taxa básica de juros – no final do ciclo de alta, que passa de 13%. Há também uma mudança na expectativa para decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) na semana que vem, para uma alta mais forte, acima de 1 ponto.

Índices

O Ibovespa futuro tem queda de 0,54% com 114.066 pontos. O dólar sobe 0,33% sendo cotado a R$ 5,02 e o S&P futuro cai 0,87%.

Agenda do Dia

No Brasil, o resultado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de janeiro, que acabou de sair, com 160 mil vagas criadas no primeiro mês do ano. Também tem análise dos dados sobre a atividade econômica e a votação dos vetos presidenciais no Congresso Nacional com risco a alta de custos para tesouro.

No exterior, os desdobramentos da guerra seguem no radar, com Kamala Harris, vice-presidente americana, na Polônia. A secretária do tesouro americano, Janet Yellen, dará entrevista ainda hoje.

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