Volta obrigatória de aulas presenciais pode diminuir evasão, dizem educadores

Especialistas defendem busca ativa para resgatar estudantes com baixa frequência; levantamento do Todos pela Educação indica que mais de 600 mil alunos deixaram salas de aula em 2020

Crianças do ensino fundamental chegam para as aulas presenciais em São Paulo
Crianças do ensino fundamental chegam para as aulas presenciais em São Paulo Rovena Rosa/Agência Brasil

Isabelle ResendeBeatriz Puenteda CNN

No Rio de Janeiro

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O retorno presencial obrigatório dos alunos às salas de aula pode ser uma alternativa para tentar reverter a evasão escolar, segundo educadores ouvidos pela CNN. Dados da ONG Todos Pela Educação apontam que mais de 600 mil estudantes brasileiros deixaram as salas de aula em 2020.

Segundo dados do Ministério da Educação (MEC), em todo Brasil a taxa de abandono é maior nos anos letivos do Fundamental II, que começa no 6º ano, com 4,8% de alunos fora da escola, e no Ensino Médio, onde o índice chega a 17,4%.

A região Sul se destaca com mais casos de evasão no segundo grau, com 4,2% de estudantes abandonando os estudos. Em seguida, aparecem as regiões Nordeste e Sudeste, com 2,2% de evasão.

Pelo menos 12 estados brasileiros adeririam à obrigatoriedade da volta às aulas na rede pública: Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Pará, Santa Catarina e São Paulo.

Segundo dados do Anuário Brasileiro da Educação Básica 2021, elaborado pela ONG Todos Pela Educação com base em dados do IBGE, estima-se que 640.772 alunos de 6 a 17 anos tenham deixado a escola em 2020. Desse total, 158.888 estavam matriculados no Ensino Fundamental e 481.884 no Ensino Médio.

Mas esse total de estudantes fora das salas de aula pode ser ainda maior, já que os números oficiais primários disponíveis, como os produzidos pelo IBGE ou Censo Escolar, ainda não capturaram as consequências esperadas pelo fechamento das escolas provocado pela pandemia.

Um levantamento internacional da Unesco mostrou que as escolas brasileiras estiveram sem aulas presenciais por aproximadamente dois terços do ano letivo de 2020, com uma média de 29 semanas.

Para a diretora do Centro de Políticas Educacionais da FGV, Claudia Costin, a obrigatoriedade da presença nas salas de aula pode ajudar a resgatar os estudantes que haviam abandonado a educação durante o primeiro ano da pandemia. Costin afirmou à CNN que, se as autoridades não forem nesse caminho, o Brasil poderá ficar mais suscetível ao trabalho infantil.

“A vantagem de ser obrigatório é que isso permite que se acione o Conselho Tutelar e o Ministério Público. Porque as crianças que mais dependem do ensino hoje são as crianças que estão, infelizmente, envolvidas em trabalho infantil, há denúncias até de exploração sexual de meninas”, explicou.

Para o chefe de Educação do Unicef, Italo Dutra, o desafio agora é proporcionar a volta às aulas presenciais de forma eficiente para os alunos.

“A grande questão é: o impacto que isso terá depois, com a retomada das atividades presenciais, se não forem pensadas atividades de acolhimento das crianças e adolescentes, e um olhar mais amplificado sobre a busca ativa dessas crianças e adolescentes que efetivamente não retornarem às atividades presenciais”, observou Dutra.

Busca ativa no RJ

No estado do Rio de Janeiro, a secretaria estadual de Educação vem fazendo uma busca ativa para tentar resgatar os estudantes com baixa frequência ou que abandonaram os estudos.

Além disso, as escolas estaduais também desenvolvem estratégias autônomas segundo as necessidades e a realidade local, tais como: visita às residências de estudantes; mensagens por redes sociais; reuniões virtuais com pais e responsáveis; articulação com grêmios estudantis, associação de moradores e entidades públicas locais e apoio de rádios comunitárias.

A pasta ainda não sabe dizer qual o percentual de evasão escolar em 2021. No ano passado, segundo o Censo Escolar, os percentuais de alunos que abandonaram e/ou deixaram de frequentar as unidades escolares da rede estadual de ensino público do Rio de Janeiro foram de 0,2% nos Anos Finais do Ensino Fundamental e de 0,4% no Ensino Médio.

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