É ilusão pensar que Ômicron não leva a casos graves, diz vice-diretor da Opas

Em entrevista à CNN, o vice-diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Jarbas Barbosa, destacou a importância de se completar o esquema vacinal

Lucas RochaLayane Serranoda CNN

em São Paulo

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A infecção pela variante Ômicron tem como característica principal o risco menor de doença grave e de morte em comparação com as linhagens anteriores do vírus SARS-CoV-2.

Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), os quadros clínicos mais leves associados à Ômicron podem ter relação com a gravidade mais baixa intrínseca da variante, conforme apontam vários estudos, e também com a eficácia da vacinação contra o agravamento da infecção.

Em entrevista à CNN, o vice-diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Jarbas Barbosa, afirmou que a alta capacidade de transmissão da Ômicron provocou um aumento significativo no número de casos em todo o mundo, incluindo aqueles associados à hospitalização.

“É uma ilusão pensar que a variante Ômicron não produz casos graves e óbitos, ela produz sim. Principalmente aquelas pessoas mais vulneráveis precisam estar com a vacinação completa em primeiro lugar, uma dose só não protege. Tem que as duas ou três doses no caso onde há recomendação”, afirmou.

Segundo Barbosa, a manutenção de cuidados como o uso de máscaras e a higienização das mãos contribui para reduzir a transmissão da doença.

O vice-diretor da Opas alerta que embora a variante Ômicron esteja sendo associada a quadros clínicos mais brandos, a alta transmissibilidade é um fator que tem levado ao aumento exponencial de casos. Com isso, a possibilidade de surgimento de casos graves entre os infectados também aumenta.

“Antes da Ômicron, o mundo vinha com uma média de 45 mil a 50 mil mortes por semana. Na última semana, isso chegou a 67 mil. Nós vimos também no Brasil. O país chegou a ter uma redução muito importante do número de mortes. Durante o pico da variante Gama, chegamos a bater 4 mil mortes por dia. Tinha reduzido para menos de 200. Agora, já voltou ao patamar de mil”, alertou.

Importância de completar o esquema vacinal

Um levantamento divulgado pelo Ministério da Saúde no início de fevereiro apontou que mais de 21,5 milhões de brasileiros estão aptos para receber a segunda dose da vacina contra a Covid-19.

Entre os estados que apresentam o maior número de pessoas em atraso estão São Paulo, com 4,5 milhões; Minas Gerais, com 2,6 milhões; Paraná, com 1,5 milhão; e Rio de Janeiro, com 1,5 milhão.

De acordo com o vice-diretor da Opas, a disseminação de notícias falsas sobre a imunização ainda contribui para afastar a população das vacinas.

“A divulgação de rumores, de falsas notícias, é um dos problemas que têm atrapalhado a vacinação no mundo inteiro, com mais peso em alguns locais. No caso da região das Américas, a gente vê isso muito forte nos Estados Unidos e na região do Caribe. Na América Latina, felizmente, os programas de vacinação têm uma força muito grande e uma tradição”, disse.

O especialista reforça que a proteção máxima contra a Covid-19 só pode ser obtida após a conclusão do esquema vacinal.

“A terceira dose não é algo opcional. Muitas vezes a palavra reforço não é bem usada. A terceira dose hoje faz parte do esquema de vacinação. Está comprovado que assim como acontece com outras vacinas e doenças, a proteção dada pela vacina depois de quatro meses para algumas vacinas, seis meses para outras vacinas, começa a diminuir. A terceira dose principalmente para pessoas idosas, pessoas com doenças crônicas, é essencial para que essas pessoas estejam protegidas”, afirmou.

Sobre a quarta dose

Em relação à aplicação da quarta dose das vacinas contra a Covid-19, Barbosa enfatizou que ainda não há uma recomendação por parte da OMS e da Opas.

“A OMS e a Opas não recomendam ainda a quarta dose. A recomendação clara é a gente conseguir altas coberturas vacinais com a terceira dose, começando com as prioridades: a mesma prioridade que a gente usou para começar o esquema de vacinação, nós temos que avançar agora com a terceira dose”, disse.

Segundo Barbosa, a Opas orienta que os gestores em saúde dos países realizem análise por grupos etários para a definição de estratégias.

“Não adianta você começar a vacinar muito em adulto jovem onde geralmente a doença é mais leve, e deixar idosos e pessoas com doenças crônicas desprotegidos. É preciso analisar os dados de cobertura vacinal por faixa etária e ver que estratégias devem ser adotadas para que esses grupos mais vulneráveis consigam receber a terceira dose o quanto antes”, disse.

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