Saiba por que imunossuprimidos precisam de doses adicionais da vacina

Nesta segunda (20), Ministério da Saúde anunciou que pessoas nessas condições poderão receber a quarta dose do imunizante contra a Covid-19

Imunossuprimidos poderão receber a dose de reforço da vacina a partir de quatro meses após a última dose do esquema vacinal
Imunossuprimidos poderão receber a dose de reforço da vacina a partir de quatro meses após a última dose do esquema vacinal Myke Sena/MS

Lucas Rochada CNN

em São Paulo

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O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (20) que pessoas imunossuprimidas vão receber uma quarta dose de vacina contra a Covid-19.

A partir da decisão, todos os indivíduos com mais de 18 anos nessas condições poderão receber a dose de reforço da vacina a partir de quatro meses após a última dose do esquema vacinal (duas doses + dose adicional), independente do imunizante aplicado.

Saiba quais grupos são incluídos na categoria de imunossuprimidos pelo Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 (PNO) e por que eles precisam de doses adicionais da vacina.

Quem são os imunossuprimidos?

As pessoas imunossuprimidas estão entre os grupos prioritários desde o começo da campanha de vacinação no Brasil.

Os grupos são definidos pelo Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 (PNO) e incluem pessoas com imunodeficiência primária grave, em quimioterapia para câncer ou transplantados (de órgão sólido ou de células tronco), que fazem uso de drogas imunossupressoras, além de pessoas vivendo com HIV/Aids.

Como funciona a indução da imunidade

Para explicar a necessidade de doses adicionais para imunossuprimidos, é preciso contextualizar os processos de formação da imunidade a partir da vacinação.

As vacinas contra a Covid-19 são desenvolvidas a partir de diferentes tecnologias. Embora cada tecnologia adote uma metodologia diferente, o objetivo é o mesmo: estimular a produção de anticorpos neutralizantes que vão reconhecer e eliminar o SARS-CoV-2, vírus causador da Covid-19.

Quando as vacinas são aplicadas, elas carregam para o organismo informações sobre o novo coronavírus que vão ensinar o corpo a produzir defesas específicas contra o microrganismo. Assim, se uma pessoa vacinada for exposta à infecção natural, os mecanismos de defesa já estarão prontos para combater o vírus – o que reduz o número de hospitalizações, casos graves e mortes pela doença.

Além disso, a resposta do sistema imunológico é complexa e vai além da ação de anticorpos. Quando as vacinas são inoculadas no organismo, elas também contam com uma função essencial de ativação de outras células de defesa do organismo, os chamados linfócitos T.

A resposta celular gerada pelos imunizantes também envolve células de memória do sistema imunológico que permanecem no organismo. Assim, quando o indivíduo entra em contato com o novo coronavírus por meio de uma infecção natural, elas ativam a produção de anticorpos que respondem contra a infecção, evitando principalmente os casos graves, hospitalizações e mortes pela doença.

Por que imunossuprimidos precisam de doses adicionais da vacina

O médico infectologista Álvaro Furtado, do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), explica que os imunossuprimidos apresentam um sistema imunológico mais frágil em comparação com a população em geral.

“Essas pessoas têm um déficit na resposta imune nos compartimentos que geram memória e produção de anticorpos”, diz.

Segundo o especialista, as doses adicionais e de reforço têm como objetivo garantir a proteção contra a doença que, para a população que não apresenta nenhum grau de imunossupressão, pode ser atingida com um número menor de doses.

“As pessoas imunossuprimidas tomam a vacina e, com o tempo, a resposta imunológica delas vai diminuindo. Eles ficam suscetíveis a entrar em contato com o vírus que não tem variações genéticas ou variantes e ter a doença novamente. As doses adicionais fazem um reforço do sistema imunológico”, diz.

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