Governadores criticam Bolsonaro e mantêm medidas contra o coronavírus


Da CNN, em São Paulo
25 de março de 2020 às 14:19 | Atualizado 25 de março de 2020 às 16:39

Após o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro, na noite de terça-feira (24), muitos governadores se uniram nas críticas ao posicionamento do chefe de Estado, contrário às medidas de isolamento social para prevenção do novo coronavírus (COVID-19). 

Em entrevista à CNN, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), declarou que Bolsonaro "tem parte da razão", "afinal, muitos municípios pequenos, sem qualquer caso de coronavírus, estão fechando", mas defendeu que grandes cidades, como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, têm "situações diferenciadas."

Já um dos principais aliados de Bolsonaro nas eleições nacionais de 2018, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), foi mais incisivo em seus comentários sobre o presidente, criticando-o por “querer colocar na balança a vida e a sobrevivência da economia”. 

Em entrevista exclusiva à CNN, Caiado afirmou ter se surpreendido com o pronunciamento feito ontem por Bolsonaro. Para ele, o presidente colocou o peso político do impacto da pandemia na economia sobre os governadores.

Veja como se posicionaram até agora os principais governadores:

 Nordeste

Em seu perfil no Twitter, o governador pernambucano, Paulo Câmara (PSB), também se opôs à fala de Bolsonaro, comparando sua postura com a de autoridades estrangeiras.

“Enquanto líderes de vários países tomam medidas necessárias para conter o avanço no novo coronavírus (...) o presidente Jair Bolsonaro vai na contramão do que defendem autoridades sanitárias e o próprio Ministério da Saúde. Discurso que, lamentavelmente, comprova que o Brasil está sem comando num dos momentos mais desafiadores da história.” Ele ainda reiterou que, em Pernambuco, as medidas de isolamento social estão mantidas.

Ainda no Nordeste, o governador da Bahia, Rui Costa (PT), também respondeu ao presidente no Twitter, escrevendo que o novo coronavírus “não é gripezinha”, como dito por Bolsonaro no pronunciamento, e afirmando que “estamos em uma guerra”.

Costa reafirmou seu compromisso com o povo baiano “de não baixar a guarda; de continuar lutando firmemente com todas as minhas forças contra o coronavírus.”  

“Vou cuidar sim da vida das pessoas. É momento da Bahia unida independentemente das suas preferências políticas, das suas crenças, dos credos. Estamos vivendo uma grave crise”, escreveu.  

O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), disse que este "não é um momento para ataques e provocações, mas um momento de cooperação e da união de todos”, completou o político cearense, pedindo unificação de esforços contra o surto.

Norte

O governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), também se pronunciou em defesa de medidas drásticas contra a pandemia. Em coro com as demais autoridades estaduais, eles defenderam e mantiveram seus decretos anteriores. Santana ainda destacou que todas as decisões “são recomendadas pelos profissionais de saúde e pela própria Organização Mundial da Saúde (OMS).”

Sul

No Sul, o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD-PR), preferiu não se pronunciar sobre as críticas de Jair Bolsonaro às decisões em nível estadual. 

Já Eduardo Leite (PSDB-RS), governador gaúcho, se manifestou ainda na noite de terça-feira. Leite apoiou a necessidade de medidas alternativas ao confinamento mas discordou do presidente ao dizer que “isso não se faz isso com ataques à ciência e cautela médica mundialmente estabelecidas.”

“Não deixamos de olhar economia/empregos. Mas não assistiremos inertes a uma doença se alastrar. Protege-se: 1) a vida; 2) os empregos. Nesta ordem", discursou o governador. 

Sudeste

Na tarde desta quarta-feira (25), horas depois de uma videoconferência dos governadores do Sudeste com o presidente Jair Bolsonaro, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo-MG) falou à CNN sobre a reunião.

Zema declarou que o encontro foi produtivo e defendeu que governo federal deixe o rigor fiscal de lado durante a luta contra o coronavírus. 

"Eu deixei muito claro que, nesse momento, o governo federal terá de deixar de lado aquilo que, inclusive, eu prego: o rigor fiscal. Porque, caso contrário, nossa economia pode adoecer de tal forma que depois vai ficar muito difícil ela recuperar", afirmou Zema.

Em relação às medidas de contenção da pandemia, ele informou que pretende continuar seguindo as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). Minas Gerais tem 133 casos confirmados e nenhuma morte registrada, segundo o Ministério da Saúde. "Não vou discutir com quem passou a vida inteira estudando a questão, então estamos fazendo o melhor", explicou.

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC-RJ), fez coro  ao político mineiro, explicando que, apesar de discordar do posicionamento de Bolsonaro na terça-feira, saiu "otimista da reunião."

"Como já anunciamos ontem, o confinamento, a quarentena e a restrição de circulação das pessoas foram anunciados ouvindo o ministro Mandetta e a OMS", e completou: "São recomendações que neste momento devem ser observadas para evitar o alto número de casos no Sistema Único de Saúde (SUS)."

Já o governador de São Paulo, João Doria (PSDB-SP), declarou que o presidente teve uma postura “decepcionante”.