Bolsonaro diz que ministros devem se alinhar a ele e dobra aposta na cloroquina

Presidente fez pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão nesta quarta-feira (8)

Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo
08 de abril de 2020 às 20:52 | Atualizado 08 de abril de 2020 às 21:07
O presidente Jair Bolsonaro em pronunciamento em 8 de abril
Foto: Carolina Antunes/Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez novo pronunciamento nesta quarta-feira (8) a respeito da pandemia do novo coronavírus.

Em sua primeira fala após serem explicitadas as suas divergências com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), o presidente afirmou que a ele cabem as decisões amplas, e que seus ministros devem estar alinhados ao Planalto.

"Tenho a responsabilidade de decidir sobre as questões do país de forma ampla, usando a equipe de ministros que escolhi, para conduzir os destinos da nação. Todos devem estar sintonizados comigo", afirmou. Durante o discurso, panelaços foram registrados mais uma vez em diversas cidades brasileiras.

No discurso, o presidente redobrou a aposta na hidroxicloroquina como a melhor saída para o tratamento dos pacientes com a COVID-19. Ele deixou claro que, ao contrário de Mandetta, defende a aplicação da substância desde "a doença em sua fase inicial".

O ministro da Saúde tem demonstrado ceticismo com o medicamento em virtude de seus possíveis efeitos colaterais, em especial arritmia cardíaca. "A grande maioria, 85%, vai ficar muito bem, obrigado. Então, será que seria inteligente dar um remédio para 85% das pessoas que não precisam desse remédio, que tem efeitos colaterais?", questionou Mandetta, em coletiva feita mais cedo.

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Bolsonaro não mencionou Mandetta, mas fez referência especial ao cardiologista Roberto Kalil Filho, médico recém-curado do novo coronavírus que se tratou utilizando a substância e que a tem receitado aos seus pacientes. "Mesmo não tendo finalizado o protocolo de testes, usou para não se arrepender depois", disse.

Jair Bolsonaro citou uma conversa que teve nesta semana com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi. No telefonema, Bolsonaro pediu ao indiano que garanta o fornecimento de insumos necessários para a fabricação da hidroxicloroquina. O presidente disse que Modi se comprometeu a atendê-lo.

Ele voltou a defender que os brasileiros "voltem a trabalhar", apesar de ponderar ao dizer que esta flexibilização deve seguir as orientações do Ministério da Saúde. Nesta semana, a pasta chegou a defender que o isolamento fosse mais brando a partir do dia 13, mas acabou recuando e defendendo mais tempo para equipar o sistema de atendimento.

Jair Bolsonaro argumentou que a medida está relacionada a diminuir os impactos econômicos da pandemia, em especial o desemprego. E voltou a dizer que as medidas de isolamento adotadas são "responsabilidade exclusiva" dos governadores de estado.

O presidente enfatizou as últimas medidas adotadas pelo governo para reforçar as contas dos brasileiros em especial o início do pagamento do auxílio-emergencial de R$ 600 e a nova liberação de saques de contas do FGTS, que acontecerá a partir de junho.

Outros pronunciamentos

Em pronunciamento anterior, em 31 de março, Bolsonaro amenizou o tom que adotou em outras ocasiões e chamou o coronavírus de "maior desafio da nossa geração".

Ele, porém, usou fala descontextualizada do diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), Tedros Ghebreyesus, dizendo que ele havia recomendado que as pessoas voltem ao trabalho.

Já Em 24 de março, o presidente usou o pronunciamento para criticar as medidas de prevenção do novo coronavírus adotadas por prefeitos e governadores.

"Algumas poucas autoridades estaduais e municipais devem abandonar o conceito de 'terra arrasada', com proibição do transporte, fechamento do comércio e confinamento em massa. O que se passa no mundo tem mostrado que o grupo de risco é o de pessoas com mais de 60 anos. Então, por que fechar escolas?", questionou.