Grupo de militares da reserva manifesta apoio a Heleno e fala em 'guerra civil'


Caio Junqueira
Por Caio Junqueira, CNN  
24 de maio de 2020 às 09:59 | Atualizado 24 de maio de 2020 às 11:27
General Augusto Heleno, Ministério da Segurança Institucional

Ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, em Brasília.

Foto: Adriano Machado - 04.mar.2020/Reuters

Um grupo de 89 militares da reserva divulgou uma carta de apoio a nota emitida na sexta-feira pelo ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, na qual ele manifesta inconformismo com a possibilidade de o ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello apreender o celular do presidente Jair Bolsonaro. À CNN, Heleno confirmou que recebeu a nota e que ela é verídica.

Na nota, assinada por formados em 1971 pela Academia das Agulhas Negras, os militares manifestam “a mais completa, total e irrestrita solidariedade” a Heleno, “não só em relação à nota à nação brasileira, por ele expedida em 22 de maio de 2020, mas também em relação a sua liderança, a sua irrepreensível conduta como militar, como cidadão e como ministro de Estado”.

O texto é repleto de críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF). “Temos acompanhado pelo noticiário das redes sociais (porquanto, com raríssimas exceções, o das redes de TV, jornais e rádios é tendencioso, desonesto, mentiroso e canalha, como bem assevera o Exmº. Sr. presidente da República), as sucessivas arbitrariedades, que beiram a ilegalidade e a desonestidade, praticadas por este bando de apadrinhados que foram alçados à condição de ministros do STF, a maioria sem que tivesse sequer logrado aprovação em concurso de juiz de primeira instância.”

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Diz ainda haver “interferências descabidas, ilegais, injustas, arbitrárias, violentas contra o Exmº Sr. Presidente da República, seus ministros e cidadãos de bem”. E chegam a falar em “guerra civil”. “Faltam a ministros, não todos, do STF, nobreza, decência, dignidade, honra, patriotismo e senso de justiça. Assim, trazem ao país insegurança e instabilidade, com grave risco de crise institucional com desfecho imprevisível, quiçá, na pior hipótese, guerra civil”.

Ao final, dizem estar dispostos a defender o país “com o sacrifício da próprio vida. “Não mais temos a jovialidade de cadetes de então, mas mantemos, na maturidade e na consciência, incólumes o patriotismo, o sentimento do dever, o entusiasmo e o compromisso maior, assumido diante da Bandeira, de defender as Instituições, a honra, a lei e a ordem do Brasil com o sacrifício da própria vida. Este compromisso não tem prazo de validade; ad eternum.”

Veja a íntegra da nota e os seus subscritores:

SOLIDARIEDADE AO GENERAL AUGUSTO HELENO RIBEIRO PEREIRA

Nós, oficiais da reserva do Exército Brasileiro, integrantes da Turma Marechal Castello Branco, formados pela “SAGRADA CASA” da Academia Militar das Agulhas Negras em 1971, e companheiros dos bancos escolares das escolas militares que, embora tenham seguido outros caminhos, compartilham os mesmos ideais, viemos a público externar a mais completa, total e irrestrita solidariedade ao GENERAL AUGUSTO HELENO RIBEIRO PEREIRA, Ministro-Chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, não só em relação à Nota à Nação Brasileira, por ele expedida em 22 de maio de 2020, mas também em relação a sua liderança, a sua irrepreensível conduta como militar, como cidadão e como ministro de Estado.

Alto lá, “ministros” do stf!

Temos acompanhado pelo noticiário das redes sociais (porquanto, com raríssimas exceções, o das redes de TV, jornais e rádios é tendencioso, desonesto, mentiroso e canalha, como bem assevera o Exmº. Sr. presidente da República), as sucessivas arbitrariedades, que beiram a ilegalidade e a desonestidade, praticadas por este bando de apadrinhados que foram alçados à condição de ministros do stf, a maioria sem que tivesse sequer logrado aprovação em concurso de juiz de primeira instância.

Assistimos, calados e em respeito à preservação da paz no país, à violenta arbitrariedade de busca e apreensão, por determinação de conluio de dois “ministros”, cometida contra o General Paulo Chagas, colega de turma. Mas o silêncio dos bons vem incentivando a ação descabida dos maus, que confundem respeito e tentativa de não contribuir para conturbar o ambiente nacional com obediência cega a “autoridades” ou conformismo a seus desmandos. Aprendemos, desde cedo, que ordens absurdas e ilegais não devem ser cumpridas.

Desnecessário enumerar as interferências descabidas, ilegais, injustas, arbitrárias, violentas contra o Exmº Sr. Presidente da República, seus ministros e cidadãos de bem, enquanto condenados são soltos, computador e celular do agressor do então candidato Jair Bolsonaro são protegidos em razão de uma canetada, sem fundamentação jurídica, mas apenas pelo bel-prazer de um ministro qualquer.

Chega!

Juiz que um dia delinquiu – e/ou delinque todos os dias com decisões arbitrárias e com sentenças e decisões ao arrepio da lei – facilmente perdoa.

Perdoa, apoia, põe em liberdade e defende criminosos, mas quer mostrar poder e arrogância à custa de pessoas de bem e autoridades legitimamente constituídas. Vemos, por esta razão, ladrão, corrupto e condenado passeando pela Europa a falar mal do Brasil. Menos mal ao país fizeram os corruptos do mensalão e do petrolão, os corruptos petistas e seus asseclas que os maus juízes que, hoje, fazem ao solapar a justiça do país e se posicionar politicamente, como lacaios de seus nomeadores, sequazes vermelhos e vendilhões impatrióticos.

O cunho indelével da nobreza da alma humana é a justiça e o sentimento de justiça. Faltam a ministros, não todos, do stf, nobreza, decência, dignidade, honra, patriotismo e senso de justiça. Assim, trazem ao país insegurança e instabilidade, com grave risco de crise institucional com desfecho imprevisível, quiçá, na pior hipótese, guerra civil. Mas os que se julgam deuses do Olimpo se acham incólumes e superiores a tudo e todos, a saborear lagosta e a bebericar vinhos nobres; a vaidade e o poder lhes cegam bom senso e grandeza.

Estamos na reserva das fileiras de nosso Exército. Nem todos os reflexos são os mesmos da juventude. Não mais temos a jovialidade de cadetes de então, mas mantemos, na maturidade e na consciência, incólumes o patriotismo, o sentimento do dever, o entusiasmo e o compromisso maior, assumido diante da Bandeira, de defender as Instituições, a honra, a lei e a ordem do Brasil com o sacrifício da própria vida. Este compromisso não tem prazo de validade; ad eternum.

Brasília, 23 de maio de 2020.

Assinam (o nome aparece em ordem alfabética):
Adonai de Ávila Camargo Coronel de Infantaria
Alvarim Pires do Couto Filho Coronel de Infantaria
Álvaro Vieira Coronel Engenheiro Militar
Alzelino Ferreira da Silva.  Coronel Comunicações
Amaury Faia Coronel de Infantaria
Anquises Paulo Stori Paquete Coronel de Infantaria
Antônio Carlos Gay Thomé Coronel Engenheiro Militar
Antônio Carlos da Silva Portela General de Brigada
Antônio Ferreira Sobrinho Coronel de Artilharia]Augusto Cesar Lobão Moreira Promotor de Justiça
Carlos Alberto Dias Vieira Engenheiro
Carlos Alberto Zanatta   Coronel  Engenheiro Militar
Carlos Augusto da Costa Brown  Coronel de Infantaria
Carlos Soares Coronel Engenheiro Militar
Celso Bueno da Fonseca Coronel de Cavalaria
Chacur Roberto Jorge Major de Material Belico
Cláudio Eustáquio Duarte Coronel de Infantaria
Dalton Domingues Coronel do Quadro de Material Bélico
Décio Machado Borba Júnior   Coronel Infantaria
Édson Pires dos Santos Coronel de Infantaria
Edu Antunes Coronel de Infantaria
Eduardo de Carvalho Ferreira Coronel do Quadro de Material Bélico
Eduardo José Navarro Bacellar Coronel de Comunicações
Eliasar de Oliveira Almeida Coronel de Artilharia
Emilio Wagner Kourrouski  Coronel de Cavalaria
Ênio Antonio Alves dos Anjos Coronel de Comunicações
Fernando Francisco Vieira Major de Artilharia
Fernando Freire  Coronel de Infantaria
Francisco José da Cunha Pires Soeiro  Coronel Engenheiro
Fernando Ruy Ramos Santos Coronel de Intendência
Francisco de Assis Alvarez Marques Coronel de Artilharia
Gabriel Cruz Pires Ribeiro  Coronel de Comunicações
Genino Jorge Cosendey  Coronel de Engenharia
Gilberto Machado da Rosa  Coronel de Engenharia
Ivanio Jorge Fialho  Coronel de Intendência
Jeová Ferreira Rocha  Coronel do Quadro de Material Bélico
Johnson Bertoluci   Coronel de Engenharia
João Cunha Neto  Coronel de Infantaria
João Henrique Pereira Allemand Coronel de Comunicações
João Vicente Barboza  Coronel de Infantaria
Jorge Alberto Durgante Colpo  Coronel de Artilharia
Jorge Cosendey  Coronel de Engenharia
José Benedito Figueiredo  Coronel de Artilharia
José Carlos Abdo  Coronel de Engenharia
José Eurico Andrade Neves  Coronel de Cavalaria
José Rossi Morelli  Coronel de Engenharia
Josias Dutra Moura  Coronel de Intendência
Julio Joaquim da Costa Lino Dunham
Juarez Antônio da Silva  Coronel de Infantaria
Lincoln Ungaretti Branco  Coronel de Infantaria
Luiz Antônio Gonzaga  Coronel de Artilharia
Luiz Dionisio Aramis de Mattos Vieira  Coronel de Cavalaria
Manoel Francisco Nunes Gomes  Coronel de Infantaria
Márcio Visconti  Coronel de Cavalaria
Marco Antônio Cunha  Coronel de Infantaria
Marino Luiz da Rosa  Coronel de Comunicações
Nelson Gomes  Coronel de Engenharia
Moacir Klapouch  Coronel de Intendência
Nilton Nunes Ramos   Coronel de Infantaria
Nilton Pinto França  Coronel de Artilharia
Norberto Lopes da Cruz  Coronel de Infantaria
Osiris Hernandez de Barros  Coronel de Cavalaria
Pascoal Bernardino Rosa Vaz  Coronel de Cavalaria
Paulo Cesar Alves Schutt  Coronel de Infantaria
Paulo César Fonseca  Coronel de Infantaria
Paulo Goulart dos Santos  Coronel de Infantaria
Paulo Sérgio de Carvalho Alvarenga  Coronel do Quadro de Engenheiros Militares
Paulo Sérgio do Nascimento Silva  Coronel de Infantaria
Pedro Sérgio Chagas da Silva  Coronel do Quadro de Material Bélico
Pedro Paulo da Silva  Coronel de Infantaria
Renato César do Nascimento Santana  Coronel de Infantaria
Roberto Barbosa  Coronel de Infantaria
Ronald Wall Barbosa de Carvalho  Engenheiro e empresário
Rubens Vieira Melo  Coronel de Artilharia
Rui Antônio Siqueira Coronel de Infantaria
Sebastião Célio de Aquino Almeida Coronel de Intendência
Sérgio Afonso Alves Neto Coronel de Artilharia
Sérgio Antônio Leme Dias Advogado e professor
Siloir José Soccal  Coronel de Intendência
Téo Oliveira Borges  Coronel de Infantaria
Tércio Azambuja  Coronel de Cavalaria
Tiago Augusto Mendes de Melo  Coronel de Artilharia
Túlio Cherem  General de Exército
Vanildo Braga Vilela  Coronel de Engenharia
Vicente Wilson Moura Gaeta  Coronel de Intendência
Waldir Roberto Gomes Mattos  Coronel de Infantaria
Walter Paulo  General de Brigada
Willard Faria Familiar  Coronel de Infantaria
Zenilson Ferreira Alves  Coronel de Artilharia