‘É uma coisa absurda’, diz Heleno sobre intervenção militar

Em conversa com jornalistas no Palácio do Alvorada, chefe do Gabinete de Segurança Institucional disse que assunto não é tratado no governo Bolsonaro

28 de maio de 2020 às 09:20 | Atualizado 28 de maio de 2020 às 09:36

O general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional, afirmou a jornalistas, na manhã desta quinta-feira (28), que ninguém no governo de Jair Bolsonaro (sem partido) está pensando em intervenção militar.

“Teve gente que disse que aquilo ali [nota do GSI sobre possível apreensão do celular de Bolsonaro] era um preâmbulo de uma intervenção militar, que agora virou moda”, disse Heleno na porta do Palácio do Alvorada, nesta quinta-feira (28).

“É uma coisa absurda. Ninguém está pensando nisso. Ninguém conversa sobre isso, ninguém pensa sobre isso. Vocês [a imprensa] estão fomentando tanto que vai vir uma geração de jovens com essa ideia na cabeça: que bacana é fazer intervenção militar.”

Heleno disse que a publicação da nota pelo GSI, que ele afirmou ter sido “absolutamente genérica” e “completamente neutra” foi necessária porque se não se manifestasse ia parecer que ele concordava com essa possibilidade. “Sou absolutamente contra, não pode nem ser ventilado isso.”

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“O que está dito ali é que aquela atitude, independente de quem assinar, de quem tomar, não se justifica... que a maior autoridade do país tenha seu telefone celular apreendido a troco de coisas que não têm o menor sintoma de crime. Isso é uma agressão à normalidade institucional”, completou.

Sobre as manifestações que pedem a volta do regime militar ou uma intervenção militar, Heleno afirmou que as pessoas podem “falar o que quiser”. “Podem prever um regime soviético no Brasil. Então não tem nada a ver. A manifestação é livre, espontânea”, afirmou.

Equilíbrio entre os poderes

O ministro também falou que sua intenção nunca foi incendiar o cenário político em Brasília, especialmente porque o país vive uma crise e não se sabe exatamente quais serão as consequências do momento atual. E defendeu um equilíbrio entre Executivo, Legislativo e Judiciário.

“Então vamos combinar que vamos manter o equilíbrio entre os poderes, limitar as decisões às atribuições dos respectivos poderes e sem ficar se pleiteando”, afirmou. É preciso que a coisas sejam dos dois lados, que seja buscado equilibro, bom senso, harmonia, respeito entre os poderes."