Após prisão de Queiroz, Bolsonaro convoca advogados pessoais para se blindar

Queiroz foi localizado em uma casa cuja propriedade é atribuída a Frederick Wassef, advogado de Bolsonaro e de Flávio

Basília Rodrigues
Por Basília Rodrigues, CNN  
18 de junho de 2020 às 11:23 | Atualizado 20 de junho de 2020 às 21:42
Bolsonaro no Palácio do Planalto
Foto: Ueslei Marcelino - 29.abr.2020/Reuters

Com a prisão de Fabrício Queiroz, o Planalto convocou advogados de dentro e fora de Brasília para traçar uma reação jurídica. Bolsonaro se reuniu com advogados e ministros, entre eles o da Justiça, André Mendonça. 

Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), personagem-chave do suposto esquema de "rachadinha" no Rio de Janeiro, foi localizado em uma casa cuja propriedade é atribuída a Frederick Wassef, advogado de Bolsonaro e de Flávio

Há avaliação entre auxiliares da presidência, com quem a coluna da CNN conversou, de que Wassef deve se afastar das causas relacionadas à família Bolsonaro, principalmente às do presidente, "para evitar uma contaminação da operação com assuntos do governo", disse uma fonte palaciana.

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Apesar da defesa da Presidência ser atribuição da Advocacia Geral da União (AGU), Frederick Wassef acompanhava, ainda que informalmente, todos processos ligados a Bolsonaro, como o inquérito que teve início após demissão do ministro da Justiça, Sergio Moro. Ele puxava para si, inclusive, a responsabilidade sobre a estratégia da defesa — comportamento que muitas vezes incomodava outros auxiliares do presidente.

"Em outra situação, era para o Wassef estar aqui (no Planalto)", destacou um assessor da Presidência ao se referir à relação de absoluta confiança do presidente com o advogado. Agora, Wassef terá que explicar sua relação com Queiroz, de quem Bolsonaro e a família haviam, aparentemente, tomado distância. A proximidade entre Wassef e Queiroz é algo que o Planalto tenta se dissociar.