O que Bolsonaro temia, aconteceu, diz Molon sobre prisão de Queiroz

Alessandro Molon (PSB-RJ) também afirmou que oposição avalia medidas contra advogado Frederick Wassef

Da CNN, em São Paulo
18 de junho de 2020 às 17:49 | Atualizado 18 de junho de 2020 às 17:49

Em entrevista para a CNN na tarde desta quinta-feira (18), o deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ) afirmou que "a Justiça começa a ser feita no Brasil" referindo-se à prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). A prisão faz parte de uma ação conjunta entre o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) que apura esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e loteamento de cargos públicos na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

"Aquilo que o presidente tanto temia, aconteceu. Queiroz, a quem o próprio presidente chamou ano passado de 'seu soldado', que depositava dinheiro na conta da primeira-dama, foi preso com provas cabais de corrupção. Talvez isso explique tantos ataques, tanta agressividade, descontrole e desequilibrio do presidente da República contra a Justiça. Ele parece imaginar que está acima das leis e da Constituição, e não está", disse.

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Molon disse também que considera a prisão do ex-policial "um fato da maior gravidade". Ele também afirma que a oposição avalia quais medidas serão tomadas em relação ao advogado perante a Ordem dos Advogados do Brasil. 

"É muito grave que um advogado se preste a uma atividade que, na prática, seria algo próximo da obstrução de Justiça. Esconder alguém que está sendo procurado há tanto tempo, que é alvo de tantas perguntas, e chama atenção o fato de que a polícia estava há tanto tempo em busca dele e que enquanto isso o advogado do presidente e, por isso, certamente, a família do presidente, sabia onde ele estava escondido", disse.

Queiroz foi preso na manhã de hoje em Atibaia, no interior de São Paulo, em um imóvel de Frederick Wassef, advogado de Flávio, filho do presidente. Para o parlamentar, isso mostra que o presidente da República está envolvido "até o pescoço" nessa história.

(Edição: Leonardo Lellis)