Bolsonaro aponta traição em caso Decotelli e acirra disputa interna


Caio Junqueira
Por Caio Junqueira, CNN  
29 de junho de 2020 às 18:25 | Atualizado 29 de junho de 2020 às 19:42
Carlos Decotelli

O ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli

Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal


Em meio à revelação de uma série de incongruências no currículo acadêmico do novo ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli, o presidente Jair Bolsonaro disse estar se sentindo traído, segundo aliados. 

De acordo com relatos feitos à CNN, a sequência de informações equivocadas sobre a formação de Decotelli é apontada como imperdoável. Pessoas próximas a Bolsonaro dizem que, hoje, o clima no Palácio do Planalto é de constrangimento e que o futuro ministro dificilmente assumirá o comando do MEC (Ministério da Educação). 

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As acusações de plágio na dissertação de mestrado, somadas às falsas informações sobre os títulos acadêmicos de Decotelli, também geraram novo embate entre as entre as alas ideológica e militar.

Auxiliares de Bolsonaro afirmam que o filtro feito pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI), do general Augusto Heleno, tem se mostrado ineficaz e que, mais uma vez, Bolsonaro é levado ao erro pelos próprios auxiliares. Por outro lado, há avaliação de ninguém poderia desconfiar de informações elencadas oficialmente em um currículo acadêmico. 

A irritação de Bolsonaro com o GSI fez com que a ala ideológica aproveitasse a oportunidade para operar nos bastidores a retomada do MEC após a perda de Abraham Weintraub.  

Decotelli foi alçado à pasta graças aos militares e Weintraub era um expoente dos ideológicos. 

Nas últimas semanas, os ideológicos vêm reclamando do avanço dos militares na gestão. Atribuem aos generais do governo a mudança no estilo presidencial. Antes, era o confronto. Agora, a pacificação. Há reclamação também quanto às negociações políticas com o Centrão por parte da Secretaria de Governo, do general Luiz Eduardo Ramos, que decidiu submergir.

Com a queda de Decotelli, os ideológicos têm defendido um substituto mais parecido com Weintraub. Ilona Becskeházy, secretária de Educação Básica, é a preferida desse grupo. Ela é considerada conservadora e tem elogios à gestão Weintraub. Já os militares querem retomar as negociações com o secretário de Educação do Paraná, Renato Feder, ou com Sérgio Sant'Anna, assessor especial da pasta.