Decotelli alega que não defendeu tese por questão financeira e diz: sou ministro


André Rigue, da CNN em São Paulo
29 de junho de 2020 às 19:14 | Atualizado 29 de junho de 2020 às 20:33

Nomeado para o Ministério da Educação, Carlos Alberto Decotelli esteve reunido com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na noite desta segunda-feira (29), após o Palácio do Planalto suspender a posse. Após o encontro, ele disse ter explicado as polêmicas sobre as inconsistências em seu currículo e disse que não chegou a defender tese de doutorado por “questões financeiras”. Além disso, Decotelli confirmou que continuará no cargo.

“Sou ministro, tenho trabalhos e vou ficar trabalhando para corrigir as demandas grandes, de Enem, de Sisu”, declarou Decotelli.

A polêmica sobre a nomeação de Decotelli surgiu após o reitor da Universidade Nacional de Rosário, Franco Bartolacci, afirmar que o ministro não concluiu o doutorado. Em coletiva nesta segunda-feira (29), Decotelli confirmou que não defendeu tese, mas que concluiu os créditos do doutorado em Administração pela Faculdade de Ciências Econômicas e Estatística, em 2009.

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“Ele (Bolsonaro) queria saber detalhes sobre minha vida de 50 anos como professor. Ele pegou a estrutura dos meus trabalhos no Brasil, queria saber desse lastro de vida como professor. O que eu pretendo, o que tem essa experiência. E ele perguntou essa questão de doutorado, pós-doutorado, pesquisa, universidade... Como é essa estrutura de inconsistência. Ele queria saber isso e eu expliquei a diferença entre defender uma tese e cursar os créditos de doutorado”, afirmou Decotelli.

Decotelli afirmou que não chegou a defender a tese na Argentina por enfrentar dificuldades financeiras. “Ao finalizar o curso, a universidade entregou um certificado de conclusão de créditos. Foi feito uma formatura em Rosário, e entregou (o diploma) para quem tinha concluído o curso de pós graduação e doutorado. Agora, aqueles que além de terminar o curso, quiserem defender a tese, receberão o título de doutor para a validade nas leis argentinas. Ao obter essa característica, tinha de apresentar a tese, e minha tese teve como construção ‘as incertezas entre as evoluções das empresas desde o Século 11, e como reagem em momentos de crise para seguir vivas na estrutura de mercado’. A banca disse que a tese estava muito profunda, para fazer adequações para reapresentar. Foi a recomendação formal da banca. Ao terminar a recomendação, eu precisaria voltar ao Brasil. Todas as despesas, passagem aérea e manutenção foi pessoal, não havia bolsa. O custo operacional particular, com dificuldade financeira, não mais voltei. Houve dificuldade em bancar o aperfeiçoamento. Fiquei com o diploma de crédito concluído”, explicou o ministro.

Plágio

Sobre as polêmicas sobre um suposto plágio em dissertação de mestrado na Fundação Getúlio Vargas (FGV), Decotelli citou uma possível distração. “Com base na minha bagagem do tempo de Banrisul, minha dissertação em tempos de mestrado foi no tempo de Banrisul, e no mestrado na FGV eu desenhei o Banrisul, a resistência do banco, governança... O texto, quando você lê muitos livros, você tem de ter uma disciplina mental de escrever, revisar, citar e mencionar. Você fica mencionando, registrando e ponderando. É possível haver distração, sim. Hoje tem mecanismo, mas naquela época, pela distração... Não houve plágio. Plágio é Ctrl + C e Ctrl + V”, afirmou.