Impeachment de Witzel não será revertido no plenário, diz autor do processo

Deputado Luiz Paulo (PSDB) diz não haver possibilidade de reversão do quadro e aposta em aprovação do prosseguimento do processo por ampla maioria na Alerj

Murillo Ferrari, da CNN, em São Paulo
23 de setembro de 2020 às 09:23

A votação nesta quarta-feira (23) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) sobre o prosseguimento do processo de impeachment contra o governador afastado Wilson Witzel (PSC) deve ser aprovada com ampla maioria, afirmou o deputado estadual Luiz Paulo (PSDB-RJ), um dos autores do pedido de impedimento.

Em entrevista à CNN, ele afirmou ainda que considera não haver possibilidade de reversão da votação que, na semana passada, foi aprovado por unanimidade na Comissão Especial que avalia o impeachment do governador.

“Não vejo nenhuma expectativa de reversão do quadro. A tendência é que o prosseguimento do impeachment seja aprovado por ampla maioria do plenário. Acho que será atingido com muito mais do que 47 votos, até porque no julgamento preliminar da comissão, composta por 25 políticos, 24 votaram pelo seguimento”, disse Paulo.

“O que estamos esperando hoje é a aprovação com ampla folga, quiçá, com a maioria de todos os presentes.”

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O deputado reiterou que o pedido de impeachment protocolado por ele e pela deputada Lucinha (PSDB-RJ) tem como base as operações Favorito e Placebo e também a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de autorizar buscas e apreensões contra o governador.

Paulo também defendeu a importância da Operação Lava Jato no estado para identificar esquemas ilegais na administração pública.

“Primeiro, temos no Rio de Janeiro uma Operação Lava Jato muito eficiente e eficaz que está, desde 2014, investigando a fundo todos os indícios de corrupção envolvendo sucessivos governos. Este é um fato muito positivo”, afirmou.

Luiz Paulo, deputado estadual (PSDB-RJ), em entrevista à CNN
Foto: CNN (23.set.2020)

“Se essa mesma ação da Lava Jato se desse em todas as Unidades da Federação (UF), possivelmente teríamos escândalos em quase todas as UFs e não só nos estados. Nos municípios também.”

Ele também chamou a situação no governo Witzel de uma “plutocracia corrupta”, caracterizada como a aliança de alguns segmentos empresariais corruptos com alguns segmentos políticos corruptos alinhados para tomar o poder e dilapidar o patrimônio público.

“Por isso, será a primeira vez que a Alerj decidirá sobre o afastamento político / administrativo de um governador (...) Nosso julgamento não é criminal. Estamos julgando por crime de responsabilidade.”