Russomanno defende isolamento vertical e culpa difamação por queda em pesquisas

Candidato à prefeitura de São Paulo disse que não faria lockdown na eventualidade de uma segunda onda da Covid-19

Anna Satie, da CNN em São Paulo
10 de novembro de 2020 às 18:25 | Atualizado 10 de novembro de 2020 às 18:27



O candidato do Republicanos à prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno, disse em sabatina na CNN nesta terça-feira (10), que, diante de uma eventual segunda onda da Covid-19, não faria um lockdown na cidade e defendeu o chamado "isolamento vertical".

"Eu não vou fazer lockdown. Nós vamos fazer distanciamento vertical, cuidar dos idosos, das crianças, das pessoas com qualquer tipo de doença", afirmou. "Vamos fazer da maneira certa, investir em testes. Você identifica a pessoa com suspeita ou Covid, propriamente, e afasta. O que você não pode é quebrar a economia da cidade, do país". 

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Russomanno começou a corrida eleitoral no primeiro lugar e, atualmente, tem 16% das intenções de voto, empatado tecnicamente no segundo lugar com outros dois candidatos, Guilherme Boulos (PSOL - 14%) e Márcio França (PSB - 13%). Ele atribuiu sua queda nas pesquisas se dá a uma "quantidade imensa de fake news". 

"Eu fui vítima de uma quantidade imensa de fake news, afirmações falsas e enganosas a respeito da minha vida", disse. "Tive que gravar vídeos mostrando certidões da Justiça para provar que não tenho nenhum processo na minha vida, nada que me desabone".

"Como a gente tem pouco tempo de televisão, não consegue se defender dessas inverdades", declarou. 

Essa é a terceira vez que Russomanno concorre à prefeitura. Em 2012 e 2016, também iniciou a corrida como um dos principais candidatos e perdeu fôlego ao longo da campanha, não chegando ao segundo turno. 

Pandemia 

Candidato a prefeito de São Paulo, Celso Russomanno, durante entrevista para a CNN
Foto: CNN (10.nov.2020)

O candidato disse que está nas ruas da cidade desde o primeiro dia da pandemia, junto a órgãos de defesa do consumidor para fiscalizar preços e qualidade dos produtos em lojas e supermercados. 

Na experiência dele, ele não vê distanciamento social na periferia da cidade, e voltou a propor que talvez os moradores de rua podem ter "imunidade maior porque não conseguem tomar banho todos os dias". 

Ele disse que, se a postura dele fosse adotada pelos atuais governantes municipais e estaduais, as coisas poderiam ter sido "de outra forma".

"Tem gente inclusive que nunca vai pegar Covid porque tem imunidade. Eu estou há meses e meses andando pela cidade e nunca peguei. Fiz uns 30 testes", contou. "Precisamos cuidar da doença com todos os critérios de orientação da Organização Mundial da Saúde, do Ministério da Saúde, da Anvisa, mas não pode ser radical". 

As principais entidades de saúde nacionais e mundiais defendem o isolamento como principal forma de frear o contágio até que haja um tratamento ou vacina disponível.

Vacina

Após criticar a Coronavac nas redes sociais mais cedo nesta terça, Russomanno disse não se opor a ela e que é a favor de uma vacina que "passe por etapas necessárias". 

"Passado pelas etapas, eu serei o primeiro a levar minha família, meus filhos, meus dois netos", disse. Questionado se isso aconteceria mesmo se fosse a Coronavac, ele disse que poderia ser "qualquer uma". 

"Não pode obrigar [a tomar a vacina] sem passar por todos os testes", declarou. 

Creches e saúde

O candidato também falou de suas propostas para ampliar o acesso a creches e à saúde.

Ele projeta que a prefeitura faça convênios com as creches, sem repasse de dinheiro direto às famílias. "Esse convênio vai dar material didático e uniforme para que tenha as mesmas condições de crianças com poder aquisitivo um pouco mais alto", disse. 

Quanto à privatização de UBSs (Unidades Básicas de Saúde), ele disse que isso já está acontecendo. "Se está certo ou errado, não sei. Estou afastado de Brasília por causa da campanha". 

Ele disse que fará a saúde funcionar na cidade zerando filas de consultas especializadas, exames e cirurgias eletivas com mutirões. Depois, investiria em teleconsultas. 

Perfil

Celso Russomanno está no sexto mandato como deputado federal por São Paulo. O primeiro foi em 1994. Ele apresenta o quadro Patrulha do Consumidor, exibido na RecordTV.

Essa é a segunda vez que ele se candidata à Prefeitura de São Paulo. Em 2012 e 2016, não chegou a ir para o segundo turno. Seu companheiro de chapa é o ex-presidente da seção paulista da OAB Marcos da Costa (PTB).

A CNN sabatina nesta semana os seis candidatos ao Executvo paulistano nas primeiras posições segundo a última pesquisa do Datafolha. O levantamento divulgado no dia 5 de novembro, mostra Russomanno com 16% das intenções de voto, empatado tecnicamente no segundo lugar com Guilherme Boulos (PSOL - 14%) e Márcio França (PSB - 13%). Quem lidera é o atual prefeito Bruno Covas, com 28%, que também respondeu as perguntas da CNN nesta terça (10).

Nos próximos dias, serão entrevistados Guilherme Boulos e Márcio França, Jilmar Tatto (PT), com 6% das intenções de voto e Arthur do Val (Patriota), com 4%.

A pesquisa entrevistou 1.260 eleitores da cidade de São Paulo entre os dias 3 e 4 de novembro. O nível de confiança e de 95% e a margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento foi encomendado pela TV Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo, registrado na Justiça Eleitoral sob o número SP-06709/2020.