Covid-19, racismo e segurança dominam Twitter às vésperas do segundo turno


Leandro Resende
Por Leandro Resende, CNN  
27 de novembro de 2020 às 16:23 | Atualizado 27 de novembro de 2020 às 16:46

 

Às vésperas do segundo turno das eleições, as atenções dos eleitores se dividem entre a preocupação com a segurança pública e uma possível segunda onda de Covid-19 no país, aponta levantamento da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Dapp) sobre o comportamento no Twitter faltando poucos dias para o pleito.

O estudo analisou milhares de tuítes feitos entre os dias 16 e 23 de novembro e observou diferenças entre o comportamento dos usuários das capitais analisadas — Rio, São Paulo, Recife e Porto Alegre, que terão segundo turno.

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Símbolo da rede social Twitter
Símbolo da rede social Twitter
Foto: Agência Brasil


Em São Paulo, a Covid-19 foi o tema de maior destaque nos debates entre os eleitores. O pico do debate, que totalizou mais de 51 mil postagens no Twitter, se deu quando da chegada de 120 mil doses da vacina Coronavac na cidade, na última quinta-feira (19). Medidas restritivas tomadas pelo governo do estado e a discussão sobre a obrigatoriedade da vacinação mobilizaram os eleitores nas redes. 

No Rio, o avanço da pandemia e o aumento na taxa de ocupação de leitos de UTI por pacientes de Covid-19 entrou no debate em meio às críticas da realização de festas e aglomerações na capital. O tema, no entanto, ficou atrás das menções feitas pelos cariocas sobre a segurança pública. Foram feitas 22 mil menções que destacaram o envolvimento endêmico das milícias na política carioca — as quais teriam influência, inclusive, sobre o resultado das eleições no município.

 

Um tema atravessou com destaque todas as cidades: o debate sobre racismo, provocado pela morte de João Alberto Freitas no dia 19 de novembro, em um supermercado, em Porto Alegre.

Na capital gaúcha o tema foi o que mais mobilizou os usuários no Twitter. Com mais de 64 mil menções de usuários do Twitter da cidade, o assunto superou, por muito, discussões sobre saúde e educação, por exemplo. 

“A morte do João Alberto, no Carrefour, pautou o tema do racismo e da segurança pública nacionalmente. Mas no que diz respeito à saúde, a discussão fica muito mais regional. Em São Paulo e Recife, por exemplo, a conversa é sobre a compra de vacina. No Rio, o crescimento da fila de espera por leitos na rede pública é a grande preocupação”, afirma o pesquisador da FGV Danilo Carvalho. 

No Recife, onde a acirrada disputa eleitoral entre primos mobiliza os eleitores, o tema mais comentado também foi a pandemia do novo coronavírus e seus impactos na capital pernambucana (2,6 mil postagens), seguido pela discussão sobre segurança, também como efeito da morte de João Alberto em Porto Alegre.