Governadores reagem a plano de vacinação de Pazuello na base do 'ver para crer'

Governadores reagiram com desconfiança à divulgação dos principais pontos do Plano Nacional de Imunização (PNI)

Daniela Lima
Iuri Pitta
Renata Agostini
09 de dezembro de 2020 às 18:03 | Atualizado 09 de dezembro de 2020 às 18:23

 

Governadores reagiram com desconfiança à divulgação dos principais pontos do Plano Nacional de Imunização (PNI), feita pelo ministro Eduardo Pazuello nesta quarta-feira (9).

Embora tenha sido considerado positivo o gesto do ministro de garantir a compra de quaisquer vacinas aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), na entrevista exclusiva à CNN, prevalece o ceticismo entre os chefes dos Executivos estaduais. 

Muitos governadores se sentiram pressionados em seus estados tanto pela forma como o tucano João Doria anunciou o plano de vacinação em São Paulo, a partir de 25 de janeiro e com uso da Coronavac produzida no Instituto Butantan, quanto pela falta de clareza do plano nacional do Ministério da Saúde.

A reação dos colegas de outros estados levou o tucano a preferir discrição nesta quarta-feira e deixar a repercussão do PNI aos técnicos do governo paulista.

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O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), afirmou à CNN que as informações divulgadas não trazem tranquilidade, já que a disponibilidade da vacina da Pfizer num primeiro momento é "estatisticamente irrelevante”. 

“O governo precisa apertar a Pfizer e obter mais vacinas. Eventualmente tentar convencê-los a iniciar produção no Brasil, com a Fiocruz”, disse Dino. 

De acordo com Pazuello, a vacinação poderia começar ainda neste ano com a aprovação de uso emergencial do imunizante da farmacêutica americana. Mas a Pfizer só poderia fornecer 500 mil doses no curto prazo.

“Enquanto isso, seguem as incertezas. Só terei tranquilidade quando destravarem a vacina da Astrazeneca e a Coronavac. Esta aí o principal tiro do governo”, disse o governador do Maranhão.

De acordo com Dino, como ainda não se tem as informações da fase final de estudos desses dois imunizantes, o governo brasileiro pode ter as 300 milhões de doses anunciadas “ou ter nenhuma no fim". 

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), afirmou que é preciso o anúncio de uma “ação concreta” para que ele possa acreditar num avanço efetivo sem “discursos ideológicos e sem embates políticos por meio da imprensa”.

“Quero acreditar que a pressão feita pelo povo para que a vacina seja garantida com urgência tenha surtido algum efeito e despertado o governo federal para encarar esta guerra real que é a pandemia", disse à CNN.

“Qualquer embate fora de contexto técnico e baseado em responsabilidade científica será desrespeitoso com o povo brasileiro”.

Já o capixaba Renato Casagrande (PSB) disse ser "ótima a possibilidade de antecipação da vacinação". Ele foi um dos primeiros governadores a cobrar ações efetivas do ministro na reunião com os chefes de Executivos estaduais.

"Fizemos dois pedidos ao Ministério da Saúde: comprar todas as vacinas disponíveis e começar a imunizar a população o mais rápido possível", afirmou o governador do Espírito Santo.

Entre os gestores de saúde nos estados, há a expectativa de recebimento do documento contendo o Plano Nacional de Imunização elaborado pelo Ministério da Saúde.

O presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde, Carlos Lula, titular da pasta no Maranhão, disse à CNN que o governo ainda não disponibilizou acesso ao PNI aos estados.