Desembargadora mantém prisão de Marcelo Crivella no Rio de Janeiro

Mais cedo, a desembargadora Rosa Guita determinou a prisão preventiva por causa da possibilidade do prefeito disputar o governo do Rio de janeiro em 2022

André Jankavski, da CNN, em São Paulo
22 de dezembro de 2020 às 19:03 | Atualizado 22 de dezembro de 2020 às 20:38

 

A desembargadora Rosa Helena Penna Macedo Guita manteve o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos), em prisão preventiva. A decisão ocorre após ela mesma ter determinado a prisão de Crivella, assim como o afastamento imediato dele do cargo de prefeito da capital fluminense. Ele seguirá para o presídio de Benfica, na Zona Norte da capital.

Mais cedo, a desembargadora determinou a prisão preventiva por causa da possibilidade de o prefeito disputar o governo do Rio de janeiro em 2022. Segundo ela, isso poderia fazer com que os processos ilícitos continuassem. 

Além de Crivella, também foram presos o empresário Rafael Alves (suspeito de ser o chefe do esquema de propinas e irmão de Marcelo Alves, ex-presidente da RioTur), Mauro Macedo (ex -tesoureiro da campanha de Crivella) e o ex-vereador Fernando Moraes (também ex-delegado). Todos continuarão presos.

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Crivella foi preso em casa, às 6h, na Barra da Tijuca, por policiais que cumpriam mandado de prisão expedido pelo Ministério Público.

Um dos motivos do Ministério Público do Rio para pedir a prisão do prefeito foi o fato de, quando foi alvo de operação de busca e apreensão, em setembro, ele ter entregue um celular para os investigadores que não era o dele.

A denúncia feita pelo MP descreve em detalhes as suspeitas sobre a conduta de Crivella no dia 10 de setembro, quando agentes foram à sua casa, na Barra da Tijuca, cumprir mandado de busca e apreensão.

Crivella está a menos de duas semanas de concluir o mandato, que se encerra em 31 de dezembro deste ano. Em novembro, Crivella não se reelegeu após ser derrotado por Eduardo Paes (MDB) nas eleições muncipais do Rio de Janeiro.

 


 

O 'QG da propina'

Segundo as investigações, o empresário Rafael Alves recebia cheques de empresários para intermediar o fechamento de contratos com a RioTur ou viabilizar o pagamento de dívidas do município do Rio de Janeiro com eles.

Considerado o operador do esquema de propinas, Rafael é irmão de Marcelo Alves, ex-presidente da RioTur.

As investigações foram iniciadas no ano passado, após colaboração premiada do doleiro Sérgio Mizrahy, preso pela Operação Câmbio, Desligo. Os valores envolvidos permanecem em sigilo.

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Marcelo Crivella (à esquerda) chegando ao presídio de Benfica, na Zona Norte do Rio (22.dez.2020)
Foto: Reprodução/CNN


 

No depoimento aos promotores, Mizrahy chamou um escritório da prefeitura do Rio de “QG da Propina”. No entanto, na ocasião, o doleiro não soube dizer se o prefeito Marcelo Crivella tinha envolvimento com o esquema e se sabia da existência da estrutura montada.

O doleiro, porém, apontou outros detalhes do suposto esquema.

“Rafael (Alves) não possui cargo na prefeitura, mas tornou-se um dos homens de confiança de Crivella por ajudá-lo a viabilizar a doação de recursos na campanha de 2016”, explicou Mizrahy.

Após a eleição de Crivella, Rafael teria conseguido colocar o irmão como presidente da Riotur e, a partir daí teriam iniciado a construção do “QG da Propina”.

Mizrahy explicou aos promotores que o esquema funcionava da seguinte forma: empresas que tinham interesse em fechar contratos ou tinham dinheiro para receber do município procuravam Rafael e deixavam os cheques com ele.

Em troca, o empresário fazia a intermediação do fechamento de contratos do município com essas empresas ou o pagamento de valores devidos pelo município.