CPI da Pandemia ouve hoje Ernesto Araújo; agenda da semana também tem Pazuello

Comissão parlamentar de inquérito entra na terceira semana de depoimentos nesta terça-feira (18)

Renato Barcellos, da CNN, em São Paulo
18 de maio de 2021 às 04:30 | Atualizado 18 de maio de 2021 às 07:05

A Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia de Covid-19 entra nesta terça-feira (18) na terceira semana de depoimentos.

A CPI ouvirá o ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo nesta terça, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello na quarta-feira (19) e a secretária de Gestão do Trabalho e Educação na Saúde, Mayra Pinheiro, na quinta-feira (20).

Até o momento, a comissão já ouviu os ex-ministros da Saúde, Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, o atual chefe da pasta Marcelo Queiroga, o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, o ex-secretário especial de Comunicação da Presidência Fabio Wajngarten e o gerente-feral da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo.

Ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo - Terça-feira (18):

O início do depoimento do ex-chanceler Ernesto Araújo está marcado para as 9h desta terça-feira (18). O requerimento de convocação foi apresentado pelos senadores Marcos do Val (Podemos-ES) e Alessandro Vieira (Cidadania-SE), que buscam explicações sobre a condução da diplomacia brasileira durante a crise sanitária provocada pela pandemia de Covid-19.

De acordo com a Agência Senado, o requerimento de Marcos do Val aponta que Ernesto Araújo "executou na política externa o negacionismo de Jair Bolsonaro na pandemia, o que teria feito o Brasil perder um tempo precioso nas negociações por vacinas e insumos para o combate à doença”.

Já o senador Alessandro Vieira quer obter informações sobre a atuação da pasta em relação à aquisição vacinas e insumos pelo Brasil.

Durante a gestão de Araújo no Itamaraty, o Brasil ficou cerca de 10 meses sem estabelecer contato com a embaixada da China no país. O rompimento de relações teve início após o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) criticar publicamente o país asiático e o embaixador Yang Wanming.

Em março de 2020, Eduardo comparou a pandemia de Covid-19 ao acidente nuclear em Chernobyl, ocorrido em 1986 e, em novembro, o deputado relacionou a China à espionagem de dados por meio de tecnologias da rede 5G

Já em janeiro de 2021, integrantes do alto escalão do governo Jair Bolsonaro admitiram que a relação conturbada do país com a China estava travando a importação de insumos para a produção das vacinas contra a Covid-19 no Brasil. 

Na última sexta-feira (14), o Ministério das Relações Exteriores enviou uma série de documentos e ofícios à CPI da Pandemia sobre como a pasta participou dos esforços do Brasil para adquirir vacinas, insumos e equipamentos para enfrentamento da Covid-19. A informação é do analista da CNN, Leandro Resende.

Ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello - Quarta-feira (19)

O depoimento do ex-ministro Eduardo Pazuello é o mais esperado dessa CPI até o momento. A oitiva do general estava marcada para o dia 5 de maio, mas foi transferida para o dia 19, após Pazuello enviar uma carta ao Comando do Exército Brasileiro requisitando o adiamento por ter entrado em contato com dois servidores do Poder Executivo federal que foram diagnosticados com Covid-19.

Na última sexta-feira (14), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski concedeu o habeas corpus preventivo pedido pela Advocacia-Geral da União (AGU) para que o general não responda a perguntas dos senadores da CPI da Pandemia que possam eventualmente incriminá-lo. No entanto, o advogado do ministro, Zozer Hardmann, confirmou à CNN que Pazuello irá responder a todas as perguntas da comissão.

Pazuello foi o ministro que ficou mais tempo à frente da pasta durante a pandemia de Covid-19 e, consequentemente, o gestor que mais apresentou dificuldades para lidar com a crise sanitária. Durante a gestão dele, o Brasil viu a crise do oxigênio em Manaus, o colapso no sistema de saúde de diversas cidades, o aumento do número de mortos em decorrência do coronavírus, a liberação de remédios sem comprovação científica para combater a doença e a ocultação de dados referentes à pandemia.

Ao assumir o cargo -- ainda que de forma interina --, em 16 maio de 2020, o país registrava 233.142 casos e 15.633 mortes em razão da doença. Quando deixou o posto, em 23 de março de 2021, o Brasil registrava 11,5 milhões de infectados e quase 280 mil óbitos. 

Secretária de Gestão do Trabalho e Educação na Saúde, Mayra Pinheiro - Quinta-feira (20)

A pediatra Mayra Pinheiro, recentemente conhecida como "capitã cloroquina", é entusiasta da utilização da droga -- que não tem comprovação científica para combater o coronavírus-- e da tese da imunidade de rebanho, será a última a ser ouvida na terceira semana da CPI.

Mayra foi alvo de pelo menos quatro requerimentos apresentados pelos senadores da CPI. Eles querem saber qual é o envolvimento dela no incentivo do uso da cloroquina, medicamento sem eficácia comprovada no tratamento da Covid, e mais especificamente qual foi o envolvimento dela no uso do medicamento em Manaus, dias antes do sistema de saúde pública do estado colapsar.

Assim como Pazuello, a médica também pediu ao STF o direito de permanecer em silêncio durante a oitiva. O argumento da defesa de Mayra Pinheiro para esse pedido de habeas corpus no Supremo é basicamente o mesmo que está sendo usado pelos senadores da base governista: de que os depoentes estão sendo tratados com agressividade e que, por isso, eles precisam ter direitos preservados. 

O pedido de habeas corpus também tem o objetivo para que ela possa ser acompanhada por um advogado durante a comissão e que a oitiva possa ser suspensa se ela não julgar não ter os direitos preservados.