Grávidas só devem receber segunda dose da AstraZeneca 45 dias após o parto

Mais de 15 mil grávidas foram vacinadas com o imunizante no Brasil

Beatriz Puente, da CNN, no Rio de Janeiro
20 de maio de 2021 às 20:36 | Atualizado 21 de maio de 2021 às 06:52

O Ministério da Saúde emitiu uma nota recomendando que gestantes e puérperas, incluindo as que não apresentam fatores de risco adicionais, aguardem o fim da gestação e do período puerpério (até 45 dias pós-parto) para completar o esquema vacinal com o mesmo imunizante.

No último dia 11, o Ministério suspendeu temporariamente a aplicação da vacina da AstraZeneca/Oxford para gestantes, por recomendação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A suspensão temporária foi recomendada após a morte de uma mulher que estava grávida de 35 semanas.

De acordo com as autoridades da saúde, ela teve uma trombose e não resistiu. A mulher, que não teve a identidade revelada, havia recebido a primeira dose do imunizante. O caso foi relatado na cidade do Rio de Janeiro e a morte confirmada pelas autoridades de saúde, no dia 10 de maio. 

O caso ainda está sendo investigado pelo Ministério da Saúde para saber se realmente há relação a aplicação da vacina e a morte da gestante. Até o dia 10 de maio, mais de 15 mil grávidas receberam a vacina da AstraZeneca no Brasil. No Rio de Janeiro, foram cerca de 2 mil gestantes.

O Ministério da Saúde orienta gestantes e puérperas que já receberam a vacina da AstraZeneca/Oxford/Fiocruz a procurar atendimento médico imediato se apresentarem, nos 4 a 28 dias seguintes a vacinação, sintomas como: falta de ar; dor no peito; inchaço na perna; dor abdominal persistente; sintomas neurológicos, como dor de cabeça persistente e de forte intensidade, borrada, dificuldade na fala ou sonolência; ou pequenas manchas avermelhadas na pele além do local em que foi aplicada a vacina.

As autoridades ressaltam que o benefício das vacinas em gestantes e puérperas se mantém favorável, considerando que o risco de morte por Covid-19 no Brasil foi 20 vezes superior ao risco de ocorrência de tromboses, em 2021.

Até o dia 9 de maio, segundo a pasta da Saúde, foram registrados 397 eventos adversos não considerados graves, na aplicação de doses em gestantes. Contando com o óbito da gestante, foram três acontecimentos graves após a vacina da AstraZeneca. Com a aplicação da Pfizer e Coronavac foram registrados, respectivamente, um e oito casos graves.

No momento, a recomendação da pasta é de que apenas gestantes e puérperas com comorbidades sejam vacinadas contra a Covid-19. Além disso, devem ser usadas somente a Coronavac, produzida pelo Instituto Butantan, ou a vacina da Pfizer/BioNTech.

Mesmo que não tenham doenças pré-existentes, grávidas e puérperas que já tenham recebido a primeira dose da vacina do Butantan ou da Pfizer, devem completar o esquema com o mesmo imunizante, no intervalo recomendado de quatro e 12 semanas, respectivamente.

Já as gestantes e puérperas pertencentes a outros grupos prioritários (trabalhadoras da saúde ou de outros serviços essenciais, por exemplo), poderão ser vacinadas após avaliação individual de risco e benefício a ser realizada em conjunto com o seu médico.