Exército vai pressionar Pazuello a pedir aposentadoria

A situação interna, segundo generais, nunca esteve tão ruim

Caio Junqueira
Por Caio Junqueira, CNN  
24 de maio de 2021 às 19:05 | Atualizado 24 de maio de 2021 às 19:56

 

O Alto Comando do Exército vai pressionar Eduardo Pazuello a pedir aposentadoria e, caso ele resista, debaterá alternativas para forçar o ex-ministro da Saúde a deixar a instituição. A situação interna, segundo generais, nunca esteve tão ruim. O motivo foi a participação no ato neste domingo (23) com o presidente Jair Bolsonaro no Rio de Janeiro.

Em conversa com Pazuello após o ato, o comandante do Exército, Paulo Sérgio Nogueira, orientou-o a ir para reserva. A solução é considerada pela força a mais diplomática, pois agradaria ao Alto Comando que poderia atenuar sua punição por ter ido ao ato com Bolsonaro. Pazuello, porém, resiste à ideia. Mas generais continuarão a debater essa possibilidade com ele.

Caso ele mantenha a resistência, alternativas estão sendo avaliadas pelo Exército. Uma delas é a promoção de oficiais generais de turmas mais novas, o que automaticamente o levaria à reserva. Outra é uma punição tão severa pela ida ao ato que o force a pedir aposentadoria.

Nesta segunda-feira, o Exército decidiu abrir um procedimento administrativo contra ele por sua ida ao ato.

Pazuello pode vir a sofrer uma das seis punições:

  1. a advertência;
  2. o impedimento disciplinar;
  3. a repreensão;
  4. a detenção disciplinar;
  5. a prisão disciplinar;
  6. o licenciamento e a exclusão a bem da disciplina.

Isso porque ele infringiu o Regulamento Disciplinar do Exército, que prevê punição para quem "manifestar-se, publicamente, o militar da ativa, sem que esteja autorizado, a respeito de assuntos de natureza político-partidária".

A avaliação é a de que é preciso dar uma punição exemplar a Pazuello. A irritação com ele é grande desde quando ele foi para o Ministério da Saúde sem pedir a reserva a despeito dos reiterados pedidos para que ele o fizesse naquela época. O ato de domingo, porém, é considerado mais grave do que sua permanência na ativa na pasta. Além de tudo, colocou o novo comandante do Exército em sua primeira saia justa com o Palácio do Planalto dias após completar um mês no posto.

O receio no comando da corporação é de que a participação de um general da ativa em um palanque político como no domingo possa insuflar outros militares da ativa a fazer o mesmo. Com a proximidade das eleições de 2022, esse é um risco que generais tentam evitar. E avaliam que punir Pazuello é o melhor sinal, hoje, nesse sentido.

Procurado pela CNN, o ex-ministro da Saúde não retornou as ligações.

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