CPI da Pandemia está atrasando reformas importantes para o país, diz Zema à CNN

Para governador de Minas Gerais, Legislativo deveria estar empenhado em aprovar reformas, e não em fazer 'CPIs que acabam não trazendo nenhum resultado'

Gregory Prudenciano, da CNN, em São Paulo
31 de maio de 2021 às 15:58

Em entrevista exclusiva à CNN na tarde desta segunda-feira (31), o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), criticou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, que está em andamento no Senado Federal. Para Zema, a CPI "com toda a certeza está atrasando reformas importantes" para o Brasil, como a reforma administrativa e a reforma tributária. 

"O que o brasileiro quer é comida no prato, é vacina no braço, e o que o governo precisa fazer são as reformas, que vão possibilitar isso. Nós precisamos hoje de uma reforma tributária, de uma reforma administrativa, é isso que vai fazer com que o Brasil deixe de ser um dos países que menos cresce no mundo", argumentou o governador de Minas. 

Zema disse que o "foco do Legislativo" deveria estar centrado nas reformas, e não "em CPIs que acabam não trazendo nenhum resultado", "que são redundantes em termos de investigação por outras instituições públicas", a exemplo da Polícia Federal (PF), do Tribunal de Contas da União (TCU) e do Ministério Público Federal (MPF), que tem "ferramentas mais adequadas" para apurar eventuais irregularidades no trato do dinheiro público destinado ao combate da pandemia, sustentou o chefe do Executivo de Minas.

Questionado sobre a convocação de governadores para prestarem depoimento à CPI da Pandemia, Romeu Zema defendeu que o setor público tenha "total transparência" nos gastos e que já que a CPI está em funcionamento, "que ela seja o mais célere possível". 

Na semana passada, a CPI aprovou requerimentos para convocar governadores de nove estados brasileiros - Zema não está entre eles -, o que gerou uma pronta resposta dos líderes dos estados. Governadores recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF) argumentando que uma investigação feita pelo Legislativo federal não pode convocar chefes do Executivo, sob risco de ferir a autonomia dos entes federativos. 

Governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo)
Foto: Reprodução / CNN

Copa América no Brasil

O governador de Minas Gerais disse não ver com bons olhos o anúncio de que a Copa América, marcada para começar na primeira quinzena de junho, acontecerá no Brasil, depois da desistência da Colômbia e da Argentina, que originalmente sediariam o evento esportivo. 

"Num momento de pandemia, em que os hospitais ainda continuam com um nível de ocupação extremamente elevado, em que a possibilidade de uma terceira onda não está descartada, eu avalio como não prudente nós fazermos qualquer evento que tenha aglomeração", disse Zema. "Eu gostaria muito que isso pudesse ser postergado". 

O político disse que se os jogos forem realizados sem a presença de público nos estádios, será "menos mal", mas reforçou que os brasileiros "não podemos nos dar ao luxo de brincarmos, de menosprezarmos este inimigo invisível e imprevisível". 

Vacinação

Zema reclamou do ritmo de vacinação contra a Covid-19 e disse que "um processo mais célere seria muito bem-vindo", em Minas e no Brasil como um todo. O governador reconheceu que seu estado enfrenta grandes desafios logísticos para a vacinar a população diante da quantidade de municípios. Com 853 deles, Minas Gerais é o estado brasileiro com mais cidades. 

Apesar das dificuldades, Zema disse que o estado tem utilizado aeronaves próprias para enviar as doses aos municípios e evitar que a vacinação seja interrompida. 

"O que o brasileiro mais quer é superar esse capítulo tão triste, tanto em termos de vidas quanto em termos de empregos", concluiu.