À CNN, Maia critica ACM Neto: ‘Prefiro perder a me alinhar a Bolsonaro’

Ex-presidente da Câmara foi expulso do Democratas e afirmou que pretende trabalhar até a eleição de 2022 com políticos defensores da democracia

Gregory Prudenciano e Jorge Fernando Rodrigues, da CNN, em São Paulo

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Em entrevista exclusiva à CNN, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia, deputado federal pelo Rio de Janeiro e agora sem partido desde segunda-feira (14), quando foi expulso do Democratas, afirmou que prefere perder uma eleição do que se alinhar ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). 

A fala do deputado fez referência à eleição para a presidência da Câmara dos Deputados ocorrida em fevereiro deste ano, quando Maia articulou a candidatura de Baleia Rossi (MDB-SP) e viu seu partido apoiar Arthur Lira (PP-AL), candidato do Planalto e vencedor da disputa. 

Segundo Maia, foi naquele momento em que começou o desentendimento entre ele e o presidente do Democratas, o ex-prefeito de Salvador Antônio Carlos Magalhães Neto, e que culminou na expulsão de Maia, em decisão tomada na segunda-feira (14) pela executiva nacional do DEM, por unanimidade. 

“Eu não queria, de forma nenhuma, como o Democratas quis, ganhar com Bolsonaro. Eu prefiro perder se eu tiver que estar alinhado ao Bolsonaro”, disse Maia.

Agora, o deputado pelo Rio de Janeiro terá de decidir a qual legenda se filiará. Para Maia, sua expulsão do partido atesta um processo de alinhamento político entre o DEM e o presidente Jair Bolsonaro.

O deputado disse ainda que ACM Neto – a quem ele chama, provocativamente, de ‘”Torquemada Neto”, em referência ao inquisidor-geral da Igreja Católica durante parte do século XV, o frade espanhol Tomás de Torquemada – poderá ser candidato à vice-presidente na chapa de Bolsonaro em 2022. “Talvez por isso atitudes tão radicais, para mostrar comprometimento com um governo radical”, completa.

Eleições de 2022

Maia afirmou que pretende trabalhar até a eleição de 2022 em conversas com políticos defensores da democracia, o que, em sua concepção, não inclui o grupo de Jair Bolsonaro. À CNN, Maia defendeu que a centro-direita se una para tentar tirar Bolsonaro do segundo turno em 2022, e avaliou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, desponta hoje como um candidato mais forte à presidência do que o atual chefe do Executivo. 

“Lula, eu acho, é mais forte hoje que o presidente Bolsonaro. Acho que ele representa um sentimento de uma maioria de brasileiros”, disse Maia. “O nosso campo [a centro-direita] tem uma grande oportunidade, pelas pesquisas, de abrir um espaço para tirar o Bolsonaro do segundo turno, hoje, do que [para] tirar o presidente Lula do segundo turno”. 

Maia aproveitou para criticar o que classificou como exclusão do governador de São Paulo, João Doria, do processo interno do PSDB que escolherá o candidato tucano à Presidência da República. Segundo Maia, a sinalização de isolamento de Doria dentro do PSDB tira as chances da centro-direita construir uma candidatura competitiva em 2022, já que São Paulo é o maior colégio eleitoral do Brasil. 

Nesta terça-feira, a executiva nacional do PSDB rejeitou a proposta feita por aliados de Doria de aumentar o peso dos filiados ao partido nas prévias para a definição da candidatura presidencial de 2022. Ainda assim, o governador confirmou à CNN que vai disputar as prévias

Nota de ACM Neto

O presidente nacional do DEM, ACM Neto, disse por nota: “Assim como nunca fiz, não vai ser agora que eu vou me permitir estar no nível do desequilíbrio e das agressões feitas pelo ex-presidente da Câmara. A decisão da Executiva Nacional do Democratas, adotada à unanimidade dos membros, fala por si”.

A sigla entendeu que Maia cometeu uma infração disciplinar por ofender o presidente do partido, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto. Em maio, nas redes sociais, o ex-presidente da Câmara se referiu a ACM Neto como “sem caráter” e “oportunista”, ao alegar que o presidente da legenda estava levando o DEM para mais perto do presidente Jair Bolsonaro. 

rodrigo maia
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

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