À CNN, Zema vê colapso em MG e diz que Brasil se iludiu com recuo da pandemia

Governador de Minas Gerais diz temer terceira onda e critica CPI instalada 'antes do incêndio acabar'

Gregory Prudenciano e Juliana Alves, da CNN, em São Paulo

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Em entrevista exclusiva à CNN, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), admitiu que o sistema de saúde do estado entrou em colapso durante a segunda onda de disseminação mais acelerada da Covid-19, nos meses de março e abril.

Apesar de admitir o agravamento da situação, o governador argumentou que o estado foi “provavelmente o último” a precisar adotar medidas mais restritivas à circulação de pessoas e que estas foram bem sucedidas em conter a disseminação.

“Nas últimas duas, três semanas, nós já temos colhido os benefícios dessa onda roxa, com uma queda muito expressiva no número de casos, no número de internações e também no número de óbitos”, disse Zema sobre a adoção da chamada fase roxa, que suspendeu atividades no estado a fim de diminuir a circulação do vírus.

‘Brasileiro se iludiu’

Zema afirmou que o brasileiro “se iludiu” com o recuo da pandemia nos últimos meses de 2020 e passou a agir como se a pandemia já tivesse sido superada, o que ajudou a impulsionar as contaminações pela Covid-19.

O governador afirmou que os mineiros devem agir com “cuidado” e “não baixar a guarda” no combate à Covid-19. Zema disse crer que o vírus causador da doença possa passar por novas mutações capazes de gerar uma forte “terceira onda” de contaminações.

“Eu estou pessoalmente confiante de que, com o avanço do processo de vacinação, nós venhamos a ter a situação sob controle. Mas nada garante que uma terceira onda, inclusive pior do que a segunda, venha, porque o vírus está solto, está sofrendo mutações e pode surgir uma variante mais letal e mais contagiosa”, argumenta Zema.

O governador disse também que o estado passa por escassez de doses para a segunda aplicação de vacinas contra a doença em alguns de seus municípios, mas que não houve interrupção na vacinação com a primeira dose.

Um dos maiores desafios enfrentados pelo estado, afirmou Zema, é a grande quantidade de municípios. São 853, o maior número do país, o que impõe a necessidade de uma operação logística complexa, argumentou.

Minas Gerais na pandemia

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Foto: Reprodução/CNN (14.jul.2020)

Segundo dados do painel do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Minas Gerais tem, em números absolutos, a segunda maior marca de casos da Covid-19 (1,4 milhão) e o terceiro maior número de óbitos (36.011). O estado é o segundo mais populoso do Brasil, com mais de 21 milhões de habitantes.

Em números relativos, ainda segundo o Conass, Minas Gerais tem taxa de 170,4 mortes por Covid-19 a cada 100 mil habitantes, a melhor marca das regiões Sudeste e Sul. “Se o Brasil tivesse uma taxa de óbitos semelhante à de Minas Gerais, mais de 60 mil vidas teriam sido poupadas”, calculou Zema.

Até domingo (10), o Brasil havia registrado 423.229 óbitos causados pelo novo coronavírus.

CPI da Pandemia

Romeu Zema criticou a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia no Senado Federal. Segundo ele, a comissão pode ser comparada a uma fiscalização de bombeiros que ainda enfrentam um incêndio, e também pode atrasar o andamento da agenda de reformas econômicas no Congresso.

“Eu sinceramente não concordo, acho que deveríamos esperar pelo menos o incêndio acabar”, disse Zema. “O Brasil é um país carente por reformas e, com essa CPI, aquilo que vai nos garantir um futuro melhor, uma reforma administrativa, uma reforma tributária, acaba ficando parado e [sendo] relegado a um segundo plano”, opinou.

Romeu Zema
Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais
Foto: CNN (24.ago.2020)

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