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    Alexandre de Moraes proíbe que Mauro Cid se comunique com Jair e Michelle Bolsonaro

    Ministro explicou que decisão foi tomada após análise de dados no celular de Cid, que revelou "novos fatos" em "diferentes eixos"

    Karine GonzagaDaniel Fernandesda CNN

    em Brasília e São Paulo

    O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes proibiu Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), de se comunicar com o ex-presidente, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e outros investigados.

    A decisão foi assinada na última quarta-feira (23), mas, conforme apurou a CNN, as intimações começaram a ser transmitidas na noite desta sexta-feira (25).

    Veja também — Mauro Cid presta novo depoimento à PF

    A restrição ocorre no inquérito das chamadas “milícias digitais” e foi tomada, segundo Moraes, após análise de dados encontrados no celular de Cid, que revelou “novos fatos” em “diferentes eixos de atuação relacionada à atuação da organização criminosa investigada”, como em um suposto golpe de Estado e no desvio de presentes oficias de alto valor recebidos de governos estrangeiros.

    “A análise dos dados armazenados no telefone celular aprendido em poder de MAURO CESAR BARBOSA CID revelou indícios de que houve desvio de bens de alto valor patrimonial entregues por autoridades estrangeiras ao ex-Presidente da República ou agentes públicos a seu serviço, e posterior ocultação da origem, localização e propriedade dos valores provenientes, sendo revelados novos fatos e agentes envolvidos”, diz a decisão de Moraes.

    Segundo o magistrado, “neste caso, a incomunicabilidade entre os investigados alvos das medidas é absolutamente necessária à conveniência da instrução criminal, pois existem diversos fatos cujos esclarecimentos dependem da finalização das medidas investigativas, notadamente no que diz respeito à análise do material apreendido e realização da oitiva de todos os agentes envolvidos”.

    Além de Jair e Michelle Bolsonaro, o tenente-coronel também está proibido de se comunicar com a esposa, Gabriela Cid, e outros investigados no auto, como o ex-assessor de Bolsonaro Marcelo Câmara, o médico Farley Vinícius Alencar de Alcântara e o deputado federal Gutemberg Reis (MDB-RJ), entre outros.

    8 de janeiro

    Em relatório encaminhado ao STF, a PF relata que “foram identificadas, nos telefones celulares de Mauro Cesar Cid e Gabriela Santiago Cid, várias mensagens postadas em grupos e chats privados do aplicativo WhatsApp, em que os interlocutores, incluindo militares da ativa, incentivam a continuidade das manifestações antidemocráticas e a execução de um golpe de estado após o pleito eleitoral de 2022, inclusive com financiamento aos atos ilícitos”.

    Segundo o relato, “apesar de não terem obtido êxito na tentativa de golpe de Estado, a atuação dos investigados, possivelmente, foi um dos elementos que contribuiu para os atos criminosos ocorridos no dia 08 de janeiro de 2023, materializando os objetivos ilícitos da organização criminosa investigada nos autos do lnq. 4.87 4/DF”.

    A CNN entrou em contato com as defesas de Mauro Cid, Michelle Bolsonaro e Jair Bolsonaro e aguarda retorno.

    Depoimento nesta sexta-feira

    Cid depôs à Polícia Federal nesta sexta-feira (25). Ele deixou a sede da corporação, em Brasília, por volta das 20h.

    Segundo o advogado de Cid, o depoimento durou cerca de duas horas, mas o sistema da PF em que são registradas as falas do investigado caiu, causando demora para que o cliente saísse. Ele não informou detalhes do teor da oitiva.

    O ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL) foi ouvido para esclarecer pontos de uma conversa entre o ex-presidente e o hacker Walter Delgatti, em agosto do ano passado.

    Mauro Cid chegou à sede da Polícia Federal por volta das 14h, em um carro descaracterizado da corporação e não falou com a imprensa. Na entrada, o advogado disse que não sabia o objetivo do novo interrogatório.

    O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, enfrenta diversas acusações de crimes
    O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, enfrenta diversas acusações de crimes / Arte/CNN Brasil

    Publicado por Daniel Fernandes, com informações de Karine Gonzaga.