Análise: Cancelamento da sabatina de Messias pode desgastar governo
Segundo análise de Pedro Venceslau no CNN 360º, a decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), é vista como um recado duro e pode trazer consequências para a relação com o governo
O cancelamento da sabatina no Senado de Jorge Messias, indicado pelo presidente Lula (PT) para o STF (Supremo Tribunal Federal), pode resultar em significativo desgaste político para o governo. A decisão foi tomada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que justificou a medida pela ausência “grave e sem precedentes” do envio da mensagem que oficializa a indicação. A análise é de Pedro Venceslau para o CNN 360º.
Interlocutores que atuavam para evitar o agravamento da crise entre Lula e Alcolumbre já previam um possível adiamento da sabatina marcada para 10 de dezembro. "Houve uma surpresa com a dureza do recado enviado através do cancelamento, especialmente considerando a justificativa apresentada", diz Venceslau.
A situação pode ter consequências graves para a relação entre Alcolumbre e Lula, caso a indicação de Messias não seja aprovada. Segundo o analista da CNN, uma eventual derrota nessa indicação seria histórica, com paralelos apenas no século XIX, podendo comprometer seriamente o diálogo entre o Executivo e o Legislativo.
O governo ainda mantém esperanças de realizar a sabatina ainda neste ano. O tempo adicional serviria para fazer articulações políticas e buscar uma aproximação com parlamentares, incluindo o próprio Alcolumbre.
"Caso a sabatina não ocorra até o recesso parlamentar de fim de ano, existe o risco de a situação se estender até 2026, o que poderia ser um desgaste enorme em ano eleitoral", diz Venceslau.
Segundo o analista de Política, há uma preocupação de que o caso possa seguir o mesmo caminho da indicação de André Mendonça, que permaneceu em espera por quatro meses.


