Análise: Domiciliar para Bolsonaro pode ser considerada mais para frente
Segundo Luísa Martins, no Bastidores CNN, episódio envolvendo tornozeleira eletrônica mudou planos iniciais do ministro Alexandre de Moraes sobre concessão de prisão domiciliar
A defesa de Jair Bolsonaro (PL) deve protocolar um novo pedido para que o STF (Supremo Tribunal Federal) conceda prisão domiciliar humanitária ao ex-presidente. No entanto, segundo a analista de política Luísa Martins, no Bastidores CNN, essa possibilidade só deve ser considerada pelo ministro Alexandre de Moraes mais para frente.
De acordo com a analista, inicialmente havia uma expectativa de que Bolsonaro ficaria preso por um curto período, menos de 15 dias, antes de receber autorização para cumprir sua pena em regime domiciliar, devido ao seu delicado quadro de saúde. "A ideia inicial do ministro Alexandre de Moraes, quando o julgamento da ação penal sobre a trama golpista foi concluído em relação ao Núcleo 1 no início de setembro, era essa", explicou.
No entanto, tudo mudou após o episódio envolvendo a tornozeleira eletrônica. "Tudo mudou quando houve aquele episódio em que ele tentou romper a tornozeleira eletrônica, de acordo com os investigadores da Polícia Federal, e além disso, isso foi interpretado como um risco de uma tentativa de fuga por parte de Bolsonaro", afirmou Luísa Martins.
Contexto agravante
A situação ficou ainda mais complicada pelo contexto em que ocorreu o episódio da tornozeleira. Segundo a analista, havia uma vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em frente ao condomínio onde o ex-presidente cumpria prisão domiciliar, o que foi interpretado pelos investigadores como uma possível manobra para distrair os policiais que faziam o monitoramento da residência.
"Esse episódio mudou tudo. E o que eu tenho de informação é que ainda está muito viva essa memória desse episódio ali no entorno do ministro Alexandre de Moraes", destacou a analista. Ela acrescentou que a prisão domiciliar, antes prevista para curto prazo, agora só deve ser considerada mais adiante.
A analista também mencionou que o ministro Alexandre de Moraes determinou a presença de uma equipe médica de plantão na superintendência da PF (Polícia Federal) onde Bolsonaro cumpre sua pena de 27 anos e 3 meses, permitindo livre entrada e saída da equipe médica do ex-presidente. Esta determinação é interpretada como um indicativo de que, pelo menos no curto prazo, o ministro não pretende aceitar o pedido de prisão domiciliar.


