Após 8 h de voto de Fux, advogado de Heleno diz nas redes que quer jantar

Matheus Milanez já havia chamado atenção pelo mesmo motivo no início do processo; relembre o caso

Maria Clara Matos, da CNN, São Paulo
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O advogado Matheus Milanez, responsável pela defesa do general Augusto Heleno, publicou nas redes sociais nesta quarta-feira (10) durante sessão do julgamento de golpe de Estado que "gostaria de jantar".

No momento, o ministro Luiz Fux continua seu voto, que foi iniciado por volta de 9h30 da manhã e já dura mais de oito horas.

A publicação foi feita no Instagram pelos stories, em que são postadas imagens e vídeos efêmeros, com duração total de um dia.

O voto de Fux — que pediu, entre outras coisas, pela anulação do processo — contou com pausas de uma hora e dez minutos ao longo do dia.

Além do magistrado, ainda votam Cármen Lúcia e Cristiano Zanin (presidente da Turma), nesta ordem. Alexandre de Moraes e Flávio Dino se manifestaram na última terça-feira (9).

Veja a publicação abaixo:

Milanez já havia "viralizado" nas redes sociais durante o interrogatório dos réus, em junho deste ano, quando pediu para que o início da sessão do dia seguinte começasse uma hora mais tarde para que ele conseguisse se alimentar. 

Na época, o pedido foi feito no fim da sessão que terminou perto das 20h. O advogado considerou que os tempos entre as sessões seriam curtos e alegou que não tinha conseguido jantar, e pediu para que a sessão do dia seguinte, prevista às 9h, começasse às 10h.

"Eu, minimamente, quero jantar, excelência, porque eu só tomei café da manhã", disse o advogado do general Heleno.

Relator do caso, Moraes negou o pedido e brincou dizendo que o processo seria retomado às 09h02. Na sessão seguinte, Milanez pediu a palavra e o ministro voltou a brincar, dizendo que "o horário do almoço ainda estaria longe."

Julgamento

Milanez defende o ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) Augusto Heleno, que atuou durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Ao defender o cliente na semana passada, o advogado afirmou que Heleno se afastou de Bolsonaro, também réu no processo, a partir da metade final do mandato do ex-presidente.

De acordo com ele, o motivo seria a proximidade do ex-presidente com o bloco de partidos de centro, chamado Centrão.

Até o momento, Heleno conta com dois votos pela condenação. O ministro Flávio Dino, contudo, defendeu que ele e outros réus, como o ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem e o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira, contem com uma pena menor. 

Para o magistrado, os três tiveram papel de “menor importância” quando comparados a Bolsonaro e Braga Netto, por exemplo.

Por quais crimes os réus foram denunciados?

Bolsonaro e outros réus respondem na Suprema Corte a cinco crimes. São eles:

  • Organização criminosa armada;
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
  • Golpe de Estado;
  • Dano qualificado pela violência e ameaça grave;
  • Deterioração de patrimônio tombado.

A exceção fica por conta de Ramagem. No início de maio, a Câmara dos Deputados aprovou um pedido de suspensão a ação penal contra o parlamentar.

Com isso, ele responde somente aos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.