"In Fux we trust": entenda o motivo da frase viralizar nas redes

Expressão voltou a circular após o voto do ministro do STF que pediu a absolvição dos réus na trama golpista

Da CNN Brasil
Luiz Fux, ministro do Supremo Tribunal Federal  • Antonio Augusto/STF
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A frase “In Fux we trust” — que em inglês significa “Em Fux nós confiamos” — voltou a viralizar nas redes sociais nesta quarta-feira (10) após o ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal), votar pela absolvição de todos os réus acusados de organização criminosa na chamada trama golpista.

Segundo Fux, a PGR (Procuradoria-Geral da República) não apresentou provas suficientes para caracterizar o crime nem indícios do uso efetivo de armas de fogo pelos acusados.

Voto que se julgue improcedente a ação penal relativamente ao crime de organização criminosa, porque esse crime não preenche a tipicidade [da legislação]”, afirmou o ministro.

Fux ressaltou em seu voto que deve se ater às acusações apresentadas pelo Ministério Público, sem considerar interpretações externas. Diferentemente dos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino, que analisaram em conjunto os crimes atribuídos aos réus, o ministro optou por examinar cada imputação separadamente. Os outros crimes ainda serão analisados.

O termo que agora circula nas redes foi resgatado pelo ex-procurador da República e ex-deputado federal Deltan Dallagnol, que comemorou no X o voto do ministro com a mesma frase dita por Sérgio Moro em 2016.

Na época, Dallagnol relatava em um grupo de procuradores uma conversa com Fux em que o ministro teria sinalizado apoio à Operação Lava Jato. “Os sinais foram ótimos. Falei da importância de nos protegermos como instituições”, disse Dallagnol.

Logo em seguida, Moro respondeu: “Excelente. In Fux we trust”.

A expressão surgiu no contexto da Operação Lava Jato, que Dallagnol coordenou em Curitiba entre 2014 e 2020. Ele era responsável por conduzir investigações, pedir prisões e autorizar quebras de sigilo junto ao então juiz Sérgio Moro.

A força-tarefa começou a perder força em 2018, quando Moro aceitou o convite do presidente eleito Jair Bolsonaro (PL) para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Em 2019, críticas à Lava Jato se intensificaram após a divulgação, pelo site “The Intercept Brasil”, de mensagens trocadas entre Moro e procuradores. O conteúdo revelou uma proximidade considerada irregular por ministros do STF, indicando possível violação de princípios constitucionais e de regras do devido processo legal.

Oposição repercute: "FUX HONRA A TOGA"

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) compartilhou nas redes sociais que o ministro Fux é “juiz” e Moraes, “militante”, acrescentando: “FUX HONRA A TOGA”.

O deputado federal Zucco (PL-RS) também repercutiu a frase em sua conta no X, afirmando que “o ministro FUX está destruindo o teatro criado por Moraes e escancarando a perseguição contra Bolsonaro”.

"Ele vai precisar de toda defesa de nossa parte por estar indo contra o sistema. A frase do dia é: FUX HONRA A TOGA ANULA TUDO", finalizou.

Já o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) declarou que "FUX transformou um 'julgamento' em uma aula, tirou a palmatória e deu um corretivo nos bagunceiros do fundão".

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) destacou que "agora o mundo sabe que Moraes é realmente um violador de direitos humanos".

Eduardo chegou a mencionar que "as sanções contra Magnitsky também deveriam se estender à Europa".

Votos

Relator do caso, Alexandre Moraes votou para condenar Bolsonaro e outros sete réus.

Para Moraes, Bolsonaro foi o líder do que seria o grupo que tramava o golpe. Junto ao ex-presidente, o relator votou pela condenação de:

  • Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência);
  • Almir Garnier, almirante de esquadra que comandou a Marinha no governo de Bolsonaro;
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro;
  • Augusto Heleno, ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) de Bolsonaro;
  • Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
  • Paulo Sérgio Nogueira, general e ex-ministro da Defesa de Bolsonaro; e
  • Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil no governo de Bolsonaro, candidato a vice-presidente em 2022.

O voto de Moraes durou cerca de cinco horas e teve quase 70 slides para apresentação do relatório. O ministro também dividiu sua manifestação em 13 pontos que narraram, em ordem cronológica, como teria atuado a organização criminosa pelo golpe.

Flávio Dino acompanhou o relatório de Moraes e Fux divergiu, estabelecendo o placar de 2 a 1. Uma eventual condenação é confirmada com a maioria de três votos. Ainda votam Cármen Lúcia e Cristiano Zanin (presidente da Turma), nesta ordem.

Por quais crimes os réus foram denunciados?

Bolsonaro e outros réus respondem na Suprema Corte a cinco crimes. São eles:

  • Organização criminosa armada;
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
  • Golpe de Estado;
  • Dano qualificado pela violência e ameaça grave;
  • Deterioração de patrimônio tombado.

A exceção fica por conta de Ramagem. No início de maio, a Câmara dos Deputados aprovou um pedido de suspensão a ação penal contra o parlamentar. Com isso, ele responde somente aos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

Cronograma do julgamento

Restam três para as sessões do julgamento. Veja:

  • 10 de setembro, quarta-feira, 9h às 12h;
  • 11 de setembro, quinta-feira, 9h às 12h e 14h às 19h;
  • e 12 de setembro, sexta-feira, 9h às 12h e 14h às 19h.

*Publicado por João Scavacin, da CNN