Bolsonaro diz que ‘não deseja’ provocar rupturas, mas que ‘tudo tem limite’

Presidente criticou decisão do Tribunal Superior Eleitoral de desmonetizar canais que promovem desinformação

Giovanna Galvanida CNN

em São Paulo

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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse que não deseja “provocar rupturas”, mas que tudo teria “um limite”.

O comentário, feito neste sábado (28), tratava sobre a desmonetização de canais que disseminam notícias falsas no YouTube – uma medida que seguiu orientação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Bolsonaro participava de um culto no 1º Encontro Fraternal de Líderes Evangélicos, organizado pelo deputado federal Glaustin da Fokus (PSC-GO), quando mencionou a decisão.

“A liberdade de expressão tem que valer para todos. Temos um presidente que não deseja nem provocar rupturas, mas tudo tem um limite em nossa vida. Não podemos continuar convivendo com isso”, declarou o presidente.

Segundo Bolsonaro, o Brasil atravessaria um momento em que “uma ou duas pessoas tentam perverter a ordem pública com medidas arbitrárias, com medidas revanchistas extrapolando aquilo que seria seu direito”, disse. “Nós não podemos admitir isso”, complementou.

Na quinta-feira (26), o YouTube informou a suspensão de pagamentos a produtores de conteúdo de 14 canais, que foram listados pelo TSE como pessoas e páginas que estariam propagando notícias falsas sobre o sistema eleitoral brasileiro.

Para o presidente, porém, a medida do TSE poderia “abrir brechas” para que tribunais regionais apoiassem governadores. Bolsonaro nomeou as páginas enquanto apoiadoras do governo federal, apesar deste não ter sido o critério do Tribunal.

“Quando um presidente do Tribunal Superior Eleitoral desmonetiza páginas de apoiadores do governo, ele abre brechas para que presidentes de Tribunais Regionais Eleitorais façam a mesma coisa para defender os respectivos governadores, isso não é democracia”, disse o presidente.

O histórico de ataques ao Judiciário por parte de Bolsonaro é longo, mas foi reforçado desde que a pauta do voto impresso voltou a circular no Legislativo.

A derrubada do projeto na Câmara dos Deputados não instigou o presidente a parar de tocar no assunto, apesar das expectativas de seus aliados do Centrão.

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