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    Bolsonaro é o mais votado em 8 das 10 principais cidades do agronegócio

    Todos os municípios estão localizados no Centro-Oeste

    Pedro ZanattaVital NetoMurillo FerrariBeatriz Araújoda CNN

    em São Paulo

    O agronegócio é um dos setores mais importantes para a economia brasileira, representando cerca de 27,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, segundo dados da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), referentes ao ano de 2021.

    Pela representatividade econômica, acenos ao setor foram feitos durante todo o período eleitoral, que se encerrou no domingo (30), com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial, após superar no segundo turno o presidente Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição.

    Entre as 10 cidades com as maiores produções agroindustriais do país, o atual presidente conseguiu a maioria dos votos em 8, todas no Centro-Oeste do Brasil: Sorriso (MT), Sapezal (MT), Rio Verde (GO), Campo Novo do Parecis (MT), Diamantino (MT), Nova Ubiratã (MT), Nova Mutum (MT) e Querência (MT). Enquanto isso, Lula venceu em 2, localizados no Nordeste: São Desidério (BA) e Formosa do Rio Preto (BA).

    O economista e pesquisador da FGV Agro, Felippe Serigati, avalia que o desenvolvimento do setor ao longo dos anos se reflete não apenas na renda das populações localizadas em municípios considerados como “polos” para o segmento, mas também se dissemina para todo o país, já que “as atividades da agropecuária estão espalhadas pelo Brasil, ou seja, quando esse setor vai bem, o nacional vai bem”.

    “O agronegócio, ao longo das últimas décadas, aumentou sua produtividade, incorporou novas tecnologias e melhorou sua gestão. Isso fez com que a renda do setor aumentasse. Essa renda não desaparece, ela vai parar na economia local”, explica Serigati.

    Confira, a seguir, como foram os resultados eleitorais nos 10 municípios mais ricos do agronegócio no país. O ranking foi elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base nos dados da Produção Agrícola Municipal (PAM), referente ao ano de 2021 e levando em conta o valor da produção das lavouras temporárias e permanentes (em mil reais).

    1º Sorriso (MT)

    Em primeiro lugar está a cidade de Sorriso (MT), somando, em 2021, R$ 9.967.814 em valor da produção. Nela, o candidato do PL obteve 39.360 votos (74.34%), enquanto Lula contabilizou 13.584 (25.66%). O município é um dos principais produtores de grãos do país, principalmente, soja.

    2º Sapezal (MT)

    O município localizado também em Mato Grosso é um dos líderes em produção de algodão, além de se destacar na produção de girassol, soja e milho. O valor da produção no local totaliza R$ 9.060.991. Neste caso, Bolsonaro conquistou 9.354 votos (69.72%). Já o petista alcançou 4.062 (30.28%) votos.

    3º Rio Verde (GO)

    Famosa por sua estrutura agroindustrial, a cidade soma R$ 7.690.361 em valor de produção. Segundo os resultados apontados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o candidato à reeleição obteve 69.385 (61.9%), enquanto Lula ficou com 42.715 (38.1%).

    4º Campo Novo do Parecis (MT)

    Com uma valor de produção de R$ 7.559.739 e destaque em culturas como o girassol e o milho pipoca, o município do Mato Grosso também votou, majoritariamente, em Bolsonaro – 13.944 votos (69.02%). Lula, por sua vez, conquistou 6.260 (30.98%).

    5º Diamantino (MT)

    Décimo terceiro PIB (Produto Interno Bruto) do ranking mato-grossense em 2018 (segundo o IBGE), com R$ 1,957 bilhão, Diamantino tem na agropecuária seu principal componente, com R$ 976,9 milhões (quase a metade do total), seguido pelo setor de serviços, com R$ 535,6 milhões. Com relação ao valor de produção, a cidade figura com R$ 6.405.377.

    No município, Bolsonaro obteve mais votos, com 7.804 (62.94%). Já o presidente eleito contabilizou 4.595 votos (37.06%)

    6º São Desidério (BA)

    Em um dos maiores produtores de algodão do Brasil, a população de São Desidério optou pelo candidato do PT, que obteve 13.807 votos (69.74%), enquanto Bolsonaro alcançou 5.990 (30.26%). O município registrou um valor de produção de R$ 6.393.017 em 2021, segundo o ranking elaborado pelo IBGE.

    7º Nova Ubiratã (MT)

    Com um valor de produção estimado em R$ 5.855.210, Nova Ubiratã votou, majoritariamente, em Bolsonaro. Foram 3.875 votos (69.66%) para o atual presidente. Já Lula teve 1.688 votos (30.34%). A economia do município também possui foco na produção e ainda na exportação de grãos.

    8º Formosa do Rio Preto (BA)

    Formosa é o 2º maior produtor de soja do Brasil e o 1º maior produtor de soja do estado da Bahia. Município se destaca ainda pela produção de algodão e de milho. A cidade possui um valor de produção que totalizou R$ 5.531.199.

    Formosa é a segunda cidade do ranking onde Bolsonaro foi derrotado. O candidato à reeleição ficou com 4.247 votos (28.46%), enquanto o presidente eleito atingiu 10.674 votos (71.54%).

    9º Nova Mutum (MT)

    Sendo mais um destaque da produção de grãos do estado do Mato Grosso, Nova Mutum está na nona posição entre os municípios mais ricos do agronegócio brasileiro, com uma valor de produção de R$ 5.319.486. Jair Bolsonaro (PL) obteve a maioria dos votos – 18.643 (74.66%). O petista ficou com 6.327 votos (25.34%).

    10º Querência (MT)

    No que se refere à atividade do agronegócio, Querência se destaca pela cultura da soja, milho, arroz, e a criação de gado de corte. O município ocupa a décima posição do ranking, somando um valor de produção de R$ 5.309.344.

    Neste, o candidato do PL também foi vitorioso, com 7.944 votos (75.18%). Já o presidente eleito conquistou 2.623 votos (24.82%).

    Para o pesquisador da FGV Agro, a economia dos municípios listados é muito beneficiada pelo agronegócio. Ele explica que não se pode pensar o setor apenas como lavoura, pecuária, ou rebanho.

    “Todos querem se associar em um caso de sucesso. Esse crescimento do setor, por ter gerado renda, por ter melhorado a vida de uma quantidade grande da população, interfere nas eleições. Tanto que, neste ano, ninguém quis ficar contrário ao agronegócio, todos tiveram sinalizações, mostrando simpatia, aderência ou sensibilidade à agenda do setor”, disse.