Boris Casoy: Ciro Nogueira coloca “bandeira branca” entre Bolsonaro e STF

No quadro Liberdade de Opinião desta segunda-feira (31), comentarista Boris Casoy fala sobre entrevista do ministro da Casa Civil à âncora da CNN Daniela Lima

Fabrizio Neitzkeda CNN

Em São Paulo

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No quadro Liberdade de Opinião desta segunda-feira (31), o jornalista Boris Casoy comentou a entrevista exclusiva do ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP), à âncora da CNN Daniela Lima, exibida no sábado (29).

Na conversa, Ciro afirmou que existe um grande ativismo do Judiciário no país, mas tentou baixar a temperatura entre os Poderes. “Isso não é muito importante para o nosso país. (…) Que a gente possa gerar mais emprego e renda, que é o que importa a esse país. Essas disputas não valem a pena e nós vamos superar. Tenho certeza disso”, disse.

Para Boris Casoy, Ciro Nogueira se tornou o ministro que “domina o governo”, autorizando a liberação de verbas no orçamento e sendo a “grande mão” da atual administração.

A fala do presidente do Progressistas, segundo o jornalista, representa uma “bandeira branca” nas tensões entre o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após o presidente não comparecer na sexta-feira (28) ao depoimento na Polícia Federal determinado por Moraes.

“Não quero entrar no mérito dessa questão. É uma história confusa… A questão é a seguinte: o presidente da República não pode ser convocado para ir prestar depoimento, sentadinho na frente de uma delegada, de um dia para o outro. Este é que foi o problema. Se Bolsonaro e Alexandre estivessem agindo com o cérebro, e não com o fígado, as coisas seriam diferentes”, afirmou.

Casoy concordou com a análise de Nogueira de que a situação não agrega em nada à população, mas defendeu que questões criminais e acusações graves sejam elucidadas.

“Infelizmente, o ministro pode considerar perda de tempo e de energia, mas em uma democracia são necessárias estas atitudes… feitas com moderação, com pensamento de obter resultados e não uma litigância com certa brutalidade que não deve envolver as relações do STF com o Executivo.”

O jornalista também se posicionou a favor da colocação do ministro em relação ao chamado “ativismo judicial”. Segundo Casoy, as ações vêm ocorrendo de forma exagerada durante o atual governo, recordando a nomeação de Alexandre Ramagem feita por Bolsonaro para a direção-geral da Polícia Federal, que foi rejeitada pelo Supremo.

“É uma intervenção indevida em outro poder. Claramente indevida. O STF, que tem uma base política, tem exagerado em estender essa base e, de vez em quando, invade muito claramente. Não interessa se tem razão ou não tem”, concluiu.

Vazamento de inquérito do TSE

Em relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal afirmou ter reunido indícios que apontam para a atuação “direta, voluntária e consciente” do presidente Jair Bolsonaro (PL) no vazamento de inquérito sigiloso sobre o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

No fim de semana, questionado sobre não ter comparecido ao depoimento marcado para sexta-feira (28), Bolsonaro tentou se esquivar, mas acabou dizendo que está “tudo em paz”.

Aliança de Moro com Republicanos

Em tentativa de tirar eleitores de Bolsonaro, o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro, pré-candidato à Presidência da República pelo Podemos, busca uma aliança com o Republicanos para conquistar o eleitorado mais conservador e de classes mais baixas.

A presidente do Podemos, a deputada federal Renata Abreu, e o presidente do Republicanos, o parlamentar Marcos Pereira, se reuniram para liberação de um consultor especializado na tentativa de montar uma estratégia.

Arquivamento do caso do tríplex

A juíza Pollyana Kelly Martins Alves, da 12ª Vara Federal do Distrito Federal, determinou o arquivamento do processo sobre o tríplex do Guarujá, no litoral de São Paulo, que envolve o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A decisão da magistrada atende pedido da Procuradoria da República no DF, que solicitou o arquivamento por prescrição dos crimes que supostamente foram cometidos por Lula e outros envolvidos nos autos.

O Liberdade de Opinião teve a participação de Boris Casoy e Fernando Molica. O quadro vai ao ar diariamente na CNN.

As opiniões expressas nesta publicação não refletem, necessariamente, o posicionamento da CNN ou seus funcionários.

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