Defesa de Cid destaca seu currículo militar: Não é só ex-ajudante de ordens

Advogado exalta trajetória militar de Mauro Cid em meio a julgamento que envolve tentativa de golpe e crimes contra o Estado Democrático de Direito

Davi Vittorazzi, Gabriela Boeachat, Tayná Farias e Gabriela Piva, da CNN, Brasília e São Paulo
Compartilhar matéria

O advogado de Mauro Cid, Jair Alves Pereira, começou a sustentação da defesa destacando o currículo do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL).

Durante o julgamento que pode condenar o ex-presidente à prisão, o advogado enfatizou que Mauro Cid serviu como paraquedista de operações militares e foi "condecorado com mais de 15 medalhas de honra".

"Eu preciso apresentar o Mauro Cid a todos, porque até então ele é apresentado como o colaborador, o delator, o ajudante de ordens do presidente da República. Mas, na verdade, o Mauro Cid é um tenente-coronel com mais de 30 anos de Exército", afirmou Pereira.

E acrescentou: "certamente ele é chamado de 01 por conta de sua competência".

Durante a sustentação oral de defesa do réu, o advogado ainda disse que "não houve coação" ao seu cliente durante o processo.

"Eu posso não concordar com o relatório e com o indiciamento do delegado, e de fato não concordo. Agora, nem por isso eu posso dizer que ele coagiu o meu cliente ou que ele cometeu uma ilegalidade", afirmou durante sustentação de defesa do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL).

"Não concordo com o pedido de prisão do ministro. Mas, não posso, por isso, dizer que ele me coagiu", completou.

Ainda segundo o advogado, a atuação da equipe da Polícia Federal (PF) liberada pelo delegado Flávio Schor foi "extremamente ética e profissional". "Eles nunca falaram com o Mauro Cid sem a presença da defesa", afirmou.

Para Pereira, a minuta do suposto plano de golpe de Estado só é conhecida por conta do militar. "Se Cid não diz que a minuta teria sido apresentada aos comandantes, ninguém saberia disso, mas, hoje, não há mais como negar", afirmou o advogado.

Os advogados de Cid foram os primeiros a fazer a apresentação aos ministros, pelo tenente-coronel ser colaborador no processo. A defesa teve uma hora para fazer a sustentação oral.

Quem são os réus do núcleo 1?

Além do ex-presidente Jair Bolsonaro, o núcleo crucial do plano de golpe conta com outros sete réus:

  • Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-presidente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência);
  • Almir Garnier, almirante de esquadra que comandou a Marinha no governo de Bolsonaro;
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro;
  • Augusto Heleno, ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) de Bolsonaro;
  • Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
  • Paulo Sérgio Nogueira, general e ex-ministro da Defesa de Bolsonaro; e
  • Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil no governo de Bolsonaro, candidato a vice-presidente em 2022.

Por quais crimes os réus estão sendo acusados? 

Bolsonaro e o outros réus respondem na Suprema Corte a cinco crimes. São eles: 

  • Organização criminosa armada; 
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito; 
  • Golpe de Estado; 
  • Dano qualificado pela violência e ameaça grave; 
  • Deterioração de patrimônio tombado. 

A exceção fica por conta de Ramagem. No início de maio, a Câmara dos Deputados aprovou um pedido de suspensão a ação penal contra o parlamentar. Com isso, ele responde somente aos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. 

Cronograma do julgamento

Foram reservadas pelo ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma, cinco datas para o julgamento do núcleo crucial do plano de golpe. Veja:

  • 2 de setembro, terça-feira: 9h às 12h (Extraordinária) e 14h às 19h (Ordinária)
  • 3 de setembro, quarta-feira: 9h às 12h (Extraordinária)
  • 9 de setembro, terça-feira: 9h às 12h (Extraordinária) e 14h às 19h (Ordinária)
  • 10 de setembro, quarta-feira, 9h às 12h (Extraordinária)
  • 12 de setembro, sexta-feira, 9h às 12h (Extraordinária) e 14h às 19h (Extraordinária)