Defesa de Garnier, acusado de aderir ao plano de golpe, começa sustentação
Almirante foi acusado de colocar tropas a disposição de Bolsonaro

A defesa do ex-comandante da Marinha Almir Garnier começou na tarde desta terça-feira (2) a sustentação oral no plenário da Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal).
Garnier é acusado de ter colocado tropas à disposição do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele é acusado pela PGR (Procuradoria-Geral da República) de ser o único comandante das Forças Armadas a aderir ao plano de golpe.
A defesa do militar diz que a acusação é baseada em “discursos” e não há provas concretas contra Garnier. Demóstenes Torres pediu a rescisão da delação de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo a defesa de Garnier, a colaboração de Cid é ilegal e "trará problemas se for aceita".
O advogado também utilizou 20% do seu tempo de defesa para elogiar os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). Ele destacou competências profissionais de Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Luiz Fux e Cármen Lúcia.
Almir Garnier é acusado de ter colocado tropas à disposição do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2022.
Embora o ex-comandante da Marinha tenha confirmado uma reunião com Bolsonaro para discutir a decretação de uma Garantia da Lei e da Ordem (GLO) para questões de segurança pública durante o seu interrogatório no STF, ele negou ter discutido uma minuta para tentativa de golpe de Estado.
Quem são os réus do núcleo 1?
Além do ex-presidente Jair Bolsonaro, o núcleo crucial do plano de golpe conta com outros sete réus:
- Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-presidente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência);
- Almir Garnier, almirante de esquadra que comandou a Marinha no governo de Bolsonaro;
- Anderson Torres, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro;
- Augusto Heleno, ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) de Bolsonaro;
- Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
- Paulo Sérgio Nogueira, general e ex-ministro da Defesa de Bolsonaro; e
- Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil no governo de Bolsonaro, candidato a vice-presidente em 2022.
Por quais crimes os réus estão sendo acusados?
Bolsonaro e o outros réus respondem na Suprema Corte a cinco crimes. São eles:
- Organização criminosa armada;
- Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
- Golpe de Estado;
- Dano qualificado pela violência e ameaça grave;
- Deterioração de patrimônio tombado.
A exceção fica por conta de Ramagem. No início de maio, a Câmara dos Deputados aprovou um pedido de suspensão a ação penal contra o parlamentar. Com isso, ele responde somente aos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.


