Delegados da PF evitam tensão com STF e não assinam carta de apoio a Andrei
Ao LIVE CNN, Elijonas Maia detalha bastidores de documento assinado por 24 dos 27 superintendentes regionais da Polícia Federal
Três superintendentes da Polícia Federal (PF) optaram por não assinar uma carta de apoio ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, com o objetivo de evitar o aprofundamento da crise institucional entre a cúpula da PF e o Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o analista de Política Elijonas Maia, a carta em questão foi assinada por 24 dos 27 superintendentes regionais da PF — chefes nos estados e no Distrito Federal — em apoio ao diretor-geral, após ele ter retornado ao cargo.
Na última terça-feira (8), Andrei Rodrigues foi afastado do cargo por decisão do ministro André Mendonça. A decisão de Mendonça também afastou o delegado Leandro Almada do cargo de diretor de Inteligência Policial da PF. Na quarta-feira (9), no entanto, o presidente do STF Edson Fachin suspendeu a decisão de Mendonça e Andrei retornou ao cargo.
A decisão de não assinar a carta gerou questionamentos internos, já que os próprios delegados haviam sido indicados por Andrei Rodrigues para os cargos de chefia nos estados do Espírito Santo, Goiás e Paraíba. O documento se somou a outras manifestações de apoio já divulgadas por entidades como a DPF, a FENAPEF, os peritos criminais federais e os 11 diretores da cúpula da corporação.
Temor de "efeito cascata" na corporação
O entendimento dos três delegados é que a crise instalada em Brasília não deve se estender aos níveis hierárquicos abaixo da cúpula e dos diretores da PF. A preocupação central é evitar que o tensionamento já existente entre a cúpula da corporação e o STF se propague para os superintendentes regionais, deixando os policiais desprotegidos e vulneráveis a punições por cumprirem ordens judiciais. Para esses delegados, o papel da Polícia Federal é estritamente o de segurança pública, sem envolvimento em disputas políticas ou jurídicas de natureza institucional.
Delegados querem se distanciar da crise política
Em conversa com Elijonas Maia, os três superintendentes que não assinaram o documento explicaram suas razões. Segundo as apurações do analista, um deles afirmou que "não é papel da Polícia Federal nem tampouco do superintendente entrar nessa bola dividida e colocar mais lenha na fogueira". O mesmo delegado reforçou que a PF deve seguir o artigo 144 da Constituição, que estabelece que a segurança pública é dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, sendo exercida para preservar a ordem pública e a integridade das pessoas e do patrimônio.
Uma outra delegada também se manifestou nos bastidores, declarando respeitar integralmente Andrei Rodrigues e reconhecer a importância de sua gestão, assim como os 24 colegas que assinaram a carta. No entanto, ela ponderou que "não é o papel da Polícia Federal tentar entrar em uma questão jurídica que já está sendo resolvida pela AGU, pelo Ministério da Justiça, pelo próprio diretor-geral Andrei Rodrigues, que colocou uma petição pessoal dele no Supremo Tribunal Federal e foi atendida".


