Em entrevista, Moro admite possibilidade de se candidatar ao Senado

Ex-juiz aceitou o convite do pré-candidato à Presidência pelo União Brasil, Luciano Bivar, para colaborar com seu plano de governo

Sergio Moro, ex-juiz da Lava Jato e ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro
Sergio Moro, ex-juiz da Lava Jato e ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro Mateus Bonomi/Agência de Fotografia - AGIF/Estadão Conteúdo

Douglas Portoda CNN

em São Paulo

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O ex-juiz Sergio Moro (União Brasil) declarou nesta sexta-feira (20), em entrevista à “Webrádio Insuperável”, que existe a possibilidade de sua candidatura ao Senado Federal pelo estado de São Paulo.

“Há essa possibilidade. A eleição nem começou, na verdade. Estamos no período de pré-campanha. Ainda vamos para a campanha. Mas minha colaboração vai ser diferente”, afirmou Moro.

“Então, estou hoje em São Paulo e estou construindo aqui um espaço. Isso tem que ser construído, evidentemente, dentro do partido. Mas é possível, provável, que eu seja candidato ao Senado por São Paulo, mas isso ainda está em construção”, continuou, admitindo que também poderia concorrer “a uma outra posição.”

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública confirmou à CNN, também nesta sexta-feira, que aceitou o convite do pré-candidato à Presidência Luciano Bivar (União), para colaborar com seu plano de governo.

Moro deixou o Podemos e abandonou sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto em 31 de março e se filiou ao União Brasil. Na ocasião, disse que estava abrindo mão da postulação temporariamente.

Em entrevista em inglês ao “Atlantic Council”, no dia 8 de abril, o ex-juiz alegou que seu nome estava à disposição do partido para concorrer à Presidência da República ou a qualquer outro cargo “que eles achem que possa funcionar”. No entanto, continuou descartando ser candidato a deputado federal, como já havia proclamado anteriormente.

Reações do União Brasil ao projeto presidencial de Moro

Após o ato da filiação de Moro, membros do União Brasil reagiram as suas manifestações de que “não desistiu de nada”, se referindo ao Planalto.

O diretório paulista do União Brasil, por sua vez, alegou que poderia impugnar sua ficha de filiação caso insista em concorrer “em um projeto Nacional”. Segundo a legenda, sua entrada se deu em projeto por São Paulo, podendo concorrer à Câmara dos Deputados, Assembleia Legislativa ou Senado Federal.

“O União Brasil São Paulo reafirma que a filiação do ex-juiz Sergio Moro se deu com a concordância de um projeto pelo estado de São Paulo, isto é, deputado estadual, deputado federal ou, eventualmente, senado. Em caso de insistência em um projeto Nacional, o partido vai impugnar a ficha de filiação de Moro”, diz a nota assinada pelo deputado federal Alexandre Leite.

O também deputado Júnior Bozzella rebateu a declaração de Leite dizendo que “nenhum membro da diretoriaisoladamente, está autorizado a falar pelo União Brasil de São Paulo”. Indica ainda que, “nos termos estatutários, as manifestações oficiais do partido devem ser colegiadas, seguir as diretrizes estatutárias e do órgão nacional”.

“A filiação de Sérgio Moro foi realizada em Brasília pelo presidente nacional, Luciano Bivar, que é a autoridade máxima do partido, até que haja uma convocação dos órgãos nacionais colegiados”. disse Bozzella. Ele afirmou ainda que “nenhum membro de São Paulo pode desautorizar o presidente nacional” e que isso é “regra básica da hierarquia partidária”.

Debate

CNN realizará o primeiro debate presidencial de 2022. O confronto entre os candidatos será transmitido ao vivo em 6 de agosto, pela TV e por nossas plataformas digitais.

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