Entenda o que é a decretação da GLO

Prerrogativa é exclusiva do presidente da República e autoriza o uso das Forças Armadas para substituir a falta de policiais e outros agentes de segurança em situações de grave "perturbação da ordem"

Rafael Villarroel, da CNN Brasil*, São Paulo
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A implementação da Garantia da Lei e da Ordem (GLO) voltou à tona nesta terça-feira (28), após a megaoperação realizada pelas Polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro, nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte da cidade.

O Palácio do Planalto, no entanto, descarta, neste momento, avaliar um decreto do tipo.

A GLO ocorre apenas após ordem expressa e direta do presidente da República, autorizando o uso das Forças Armadas para substituir a falta de policiais e outros agentes de segurança em situações de grave "perturbação da ordem", tendo como principal objetivo proteger a população e garantir o funcionamento adequado das instituições.

A última vez que uma GLO foi instaurada no Rio de Janeiro foi em novembro do ano passado, durante cúpula de líderes do G20.

Antes disso, em novembro de 2023, a medida ocorreu nos portos do Rio de Janeiro e Itaguaí, e no Aeroporto Internacional do Galeão, para combater a atuação do crime organizado.

Parecer da AGU

A AGU (Advocacia-Geral da União) elaborou em fevereiro um parecer no qual deu a fundamentação jurídica para que as Forças Armadas rejeitassem o pedido do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), feito em janeiro deste ano para que fossem oferecidos blindados ao estado para serem utilizados na segurança pública.

O documento interno de seis páginas do governo federal, ao qual a CNN Brasil teve acesso, diz que “tal pedido apenas possui o potencial de se subsumir na hipótese do pedido de atuação das Forças Armadas para a garantia da lei e da ordem”.

Castro disse nesta terça que o estado vem tentando dialogar com as Forças Armadas e que já solicitou apoio de blindados ao Exército três vezes, mas que os pedidos foram negados em todas as ocasiões.

O governador afirmou ainda que o estado do Rio de Janeiro está “sozinho” e cobrou maior integração com o governo federal no combate ao crime organizado.

A operação

Até o momento, foram confirmadas 64 mortes. Dentre os mortos, são 60 suspeitos, dois policiais civis e dois policiais militares do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais), segundo as forças de segurança do estado.

O número de letalidades em uma única operação é o maior já registrado no estado fluminense, com mais que o dobro da segunda operação com mais mortes, que ocorreu em maio de 2021, com 28 mortos no Jacarezinho, segundo o Geni/UFF (Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense).

A operação conjunta das Polícias Civil e Militar mobilizou cerca de 2.500 agentes, com o objetivo principal de frear o avanço territorial da facção Comando Vermelho e cumprir uma centena de mandados de prisão contra criminosos nos Complexos do Alemão e da Penha. Dentre os alvos, 30 são de outros estados, com destaque para membros da facção no Pará, que estariam escondidos nessas regiões.

A ação policial é resultado de mais de um ano de investigação conduzida pela DRE (Delegacia de Repressão a Entorpecentes).

"Foi uma operação planejada, que começa com cumprimento de mandado judicial, investigação de um ano e um planejamento de 60 dias, que o Ministério Público participou. Não é uma operação de alguém que acordou e resolveu fazer uma grande operação", afirmou o governador Cláudio Castro

Até o momento, 81 pessoas já foram presas e 75 fuzis foram apreendidos.

A intensidade dos tiroteios também causou vítimas entre agentes e moradores. Três moradores foram vítimas de bala perdida e socorridos no Hospital Getúlio Vargas. Pelo menos outros dois policiais também estão feridos após serem baleados.

*Sob supervisão de Douglas Porto