Família de "Sicário" diz que ainda não recebeu imagens da PF e laudo do IML
Cúmplice de Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, Luiz Mourão estava preso sob a custódia da PF quando teria atentado contra a própria vida

A família de Luiz Phillipi Machado de Morais Mourão, conhecido como "Felipe Mourão", também chamado de "Sicário", divulgou uma nota na segunda-feira (13) alegando que não teve acesso às imagens e aos autos do inquérito sobre sua morte.
Cúmplice de Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, Luiz Mourão estava preso sob a custódia da PF (Polícia Federal) quando teria atentado contra a própria vida. Ele morreu no início de março após ficar internado em Minas Gerais.
"A família de Luiz Phillipi Machado de Morais Mourão informa que, até o momento, não teve acesso às imagens de segurança nem aos autos do inquérito que apura as circunstâncias de seu falecimento, conduzido pela Polícia Federal sob supervisão do Supremo Tribunal Federal. Também não foi disponibilizado o laudo do Instituto Médico Legal com a causa mortis", diz o comunicado.
A família teria descoberto a tentativa de suicídio de Luiz Mourão por meio da imprensa e acusa a PF de não avisá-los antecipadamente. Em outro trecho, eles questionam a citação do apelido "Sicário", que significa "matador de aluguel", pelos investigadores.
"Sobre a imputação de que Mourão seria 'sicário' — termo que designa assassino profissional —, trata-se de acusação gravíssima, sem apresentação pública, até o momento, de qualquer prova nesse sentido. Seus familiares jamais tiveram conhecimento de envolvimento em atos de violência e muito menos de homicídio, inexistindo histórico que sustente tal alegação", pontua a defesa de Luiz Mourão na nota.
A família também busca acesso aos dados da terceira fase da operação Compliance Zero, que também teve o empresário e cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, como um dos alvos.
À CNN, a PF disse não se manifestar sobre investigações em andamento.
Quem era "Sicário"?
Nas investigações da Polícia Federal, foi constatada a existência de um grupo chamado de "A Turma", do qual Vorcaro e Luiz Mourão faziam parte.
Segundo a PF, "Sicário" era responsável pela "coordenação de atividades voltadas à obtenção de informações, monitoramento de pessoas e levantamento de dados considerados relevantes para os interesses do grupo".
A corporação aponta que o homem realizava consultas e extrações de dados em sistemas restritos de órgãos públicos, incluindo bases de dados utilizadas por instituições de segurança pública e investigação policial.
Conforme a autoridade policial, o investigado teria obtido acesso indevido aos sistemas da própria Polícia Federal, do MPF (Ministério Público Federal), e até mesmo de organismos internacionais, tais como FBI e Interpol.
"Felipe Mourão" também teria atuado em ações voltadas para remoção de conteúdos e perfis em plataformas, com o objetivo de obter dados de usuários ou tirar de circulação possíveis críticas ao grupo. Ele ainda teria papel de coordenação e mobilização das equipes responsáveis pelas ações da organização.
A PF ainda diz que Mourão atuava para intimidar antigos funcionários do Master e levantar dados sobre essas pessoas.
Em uma das situações, Mourão estaria envolvido em uma conversa com Vorcaro na qual o banqueiro pedia para organizar um assalto e "dar um pau" no jornalista Lauro Jardim, de O Globo.
Veja nota completa:
"A família de Luiz Phillipi Machado de Morais Mourão informa que, até o momento, não teve acesso às imagens de segurança nem aos autos do inquérito que apura as circunstâncias de seu falecimento, conduzido pela Polícia Federal sob supervisão do Supremo Tribunal Federal. Também não foi disponibilizado o laudo do Instituto Médico Legal com a causa mortis.
O óbito de Phillipi ocorreu em 6 de março de 2026, conforme atestado pelo Hospital João XXIII, tendo sido seu corpo velado e sepultado dois dias depois. Alegações em sentido contrário não correspondem à triste realidade dos fatos. A família aguarda a conclusão do laudo pericial e das investigações, especialmente quanto aos acontecimentos ocorridos nas dependências da Polícia Federal em Belo Horizonte que antecederam sua internação. A defesa anteriormente constituída por Mourão, assim como seus familiares, não foi formalmente comunicada pela Polícia Federal sobre a alegada tentativa de suicídio de Phillipi, tendo tomado conhecimento dessa informação exclusivamente por meio da imprensa. Eventuais responsabilidades deverão ser apuradas independentemente das conclusões acerca da ocorrência ou não de autoextermínio, com base em elementos técnicos.
Sobre a imputação de que Mourão seria “sicário” — termo que designa assassino profissional —, trata-se de acusação gravíssima, sem apresentação pública, até o momento, de qualquer prova nesse sentido. Seus familiares jamais tiveram conhecimento de envolvimento em atos de violência e muito menos de homicídio, inexistindo histórico que sustente tal alegação.
A defesa constituída pela família busca acesso aos elementos da 3ª fase da operação “Complience Zero” para análise das imputações, pois a ausência de acesso às provas, aliada à divulgação de acusações sem lastro, compromete a memória e a honra de Luiz Phillipi.
A família espera a elucidação completa dos fatos e a devida restauração de sua honra, com base em provas e não em especulações."
Importante
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