Ideologia não pode contaminar política comercial, diz Rubens Barbosa

Ex-embaixador critica postura do Brasil em relações com EUA e defende negociações objetivas para proteger interesses nacionais

Da CNN Brasil
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Em entrevista à CNN Brasil, o ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Rubens Barbosa, criticou a influência ideológica na política externa e comercial brasileira, especialmente nas relações com os EUA. Barbosa enfatizou a necessidade de separar ideologia de negociações internacionais para defender efetivamente os interesses do país.

O diplomata comentou sobre a recente decisão do presidente Donald Trump de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos importados do Brasil, destacando a importância de manter canais de comunicação abertos com a administração americana.

Flexibilidade nas negociações comerciais

Barbosa argumentou que, apesar das restrições do Mercosul, o Brasil tem meios de negociar tarifas com os Estados Unidos sem violar as regras do bloco. "Há maneiras de fazer isso sem quebrar as regras do Mercosul. Eu não tenho nenhuma dúvida que isso pode ser feito", afirmou.

O ex-embaixador ressaltou a necessidade de vontade política para negociar, sugerindo um levantamento detalhado dos produtos americanos importados pelo Brasil e das tarifas aplicáveis, com o objetivo de identificar possíveis modificações.

Críticas à postura diplomática atual

Barbosa apontou um esvaziamento do Itamaraty nos últimos anos, com dificuldades para apresentar posições técnicas e tradicionais da política externa brasileira. Ele criticou a dualidade entre os pronunciamentos presidenciais e as posições técnicas do Ministério das Relações Exteriores.

"Quando o presidente fala, é a voz do Brasil lá fora. Então isso é muito importante", alertou Barbosa, referindo-se ao impacto internacional das declarações presidenciais. O diplomata defendeu que o Itamaraty retome seu papel constitucional de principal assessor do presidente em questões de política externa.

Barbosa concluiu enfatizando que a política externa brasileira não deve ser conduzida por porta-vozes não oficiais do Itamaraty, com ênfase político-ideológica. "Isso tem um preço", advertiu, ressaltando a importância de uma abordagem mais técnica e menos partidária nas relações internacionais do Brasil.

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