Leite diz que governo está “na direção correta” para eliminar desmatamento em 2028

Ministro diz que queda de alertas nos últimos 4 meses mostra "integração" do governo. Último consolidado anual apontou aumento de 22% no desmatamento na região

Ministro Joaquim Leite, do Meio Ambiente, em coletiva sobre os resultados da participação brasileira na 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26)
Ministro Joaquim Leite, do Meio Ambiente, em coletiva sobre os resultados da participação brasileira na 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26) José Cruz/Agência Brasil

Giovanna GalvaniGiovanna Inoueda CNN

em Brasília e São Paulo

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O ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, afirmou nesta terça-feira (14) que quedas recentes nos números de alerta de desmatamento na Amazônia apontam que o governo “está na direção correta” em relação à eliminação do desmate ilegal em 2028, conforme acordado na última Cúpula do Clima.

Em uma coletiva de imprensa, o ministro anunciou que ações do governo resultaram em uma redução de 12% nos alertas entre agosto, setembro, outubro e novembro de 2020 e 2021. Somente para o mês de novembro, a queda foi de 19,5%. Os dados são do sistema Deter.

“Em relação aos compromissos assumidos durante a Conferência do Clima, foi [acordado] que a gente deve eliminar o desmatamento até 2028. A redução seria de aproximadamente 15% nos primeiros anos. Os números agora desse período mostram que estamos na direção correta”, declarou.

No entanto, os números ainda contrastam com o último consolidado anual de desmatamento na região.

De acordo com o monitoramento do sistema PRODES, o desmate na Amazônia atingiu a marca de 13.235 quilômetros quadrados entre 1 de agosto de 2020 a 31 julho de 2021, alta de 21,97% na comparação com o ano passado.

Questionado sobre os comparativos entre o índice anual e os resultados dos últimos meses, o ministro afirmou que o governo entende “que a queda nesse período, de 12% [nos 4 meses] e de 19% em novembro, refletem a maior integração do governo e ministérios” contra crimes ambientais nesta gestão – o ministro assumiu o cargo em junho de 2021, sucedendo o ex-ministro Ricardo Salles.

Também presente na coletiva, o ministro da Justiça e Segurança Pública Anderson Torres afirmou que é “difícil” avaliar o trabalho de gestões anteriores frente aos índices da Amazônia, mas endossou declarações de Joaquim Leite sobre a continuidade de operações integradas contra crimes ambientais em 2022.

“A gente precisa entender o tamanho do problema e enfrentá-lo, e a gente entende. Estamos fazendo isso. Sem a integração, sem as agências agindo juntas e aqui com as polícias, os órgãos de fiscalização ambiental, a Marinha, a Aeronáutica, nós não vamos conseguir diminuir os crimes ambientais”, afirmou. “Esse é um problema nacional”.

Segundo Torres, houve um aumento de 109% nas operações com a Força Nacional na região amazônica em outubro. Em novembro, o número foi 179% maior do que em 2020, declarou.

“Subimos [o número de operações], estamos lá, ficaremos lá e estamos em fase final do planejamento da operação Guardiões do Bioma, [operação] de combate de crimes ambientais que norteará o nosso trabalho em 2022 e seguintes”, disse Torres.

A realização da Operação Guardiões do Bioma, que já havia sido anunciada anteriormente por Joaquim Leite, foi novamente endossada pelos ministros. No entanto, ainda não foram detalhados quais serão os valores destinados a ela, bem como sua distribuição entre ministérios e autarquias, como Ibama e ICMBio.

Leite também afirmou que, com a aprovação do orçamento para 2022, será possível implementar mudanças nos sistemas de monitoramento a fim de “separar o que é crime ambiental de supressão autorizada” de mata.

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