Mendonça e Ciro Nogueira integraram o núcleo forte do governo Bolsonaro

O ministro do STF, que chefiou a Justiça e a AGU, autorizou hoje uma operação contra o senador, ex-ministro da Casa Civil

Manoela Carlucci, da CNN Brasil, São Paulo
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A PF (Polícia Federal) deflagrou nesta quinta-feira (7) a quinta fase da Operação Compliance Zero, que teve como um dos principais alvos o senador Ciro Nogueira (PP-PI).

Autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), a operação citou o parlamentar como investigado, apontando um suposto envolvimento dele em ações que teriam beneficiado o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro.

A atual autorização judicial evidencia o distanciamento entre dois antigos aliados. Tanto o ministro quanto o senador foram peças-chave na gestão de Jair Bolsonaro (PL), quando dividiram o prestígio e as decisões do núcleo central do governo federal.

Advogado, pastor e ex-ministro da Justiça durante parte do governo de Jair Bolsonaro, Mendonça — que também ocupou o cargo de advogado-geral da União na gestão bolsonarista — deixou o governo para tomar posse no STF em dezembro 2021, indicado pelo então presidente da República.

Seu nome foi aprovado no Senado com 41 votos favoráveis dos 81 senadores, representando a maioria absoluta da Casa. Em seu discurso, firmou "comprometimentos" com o Estado Democrático de Direito, Estado laico e com a igualdade jurídica "entre todas as partes". "Na vida, a Bíblia, no Supremo, a Constituição", afirmou.

Já o senador Ciro Nogueira atuou como ministro-chefe da Casa Civil no governo Bolsonaro que, na ocasião, nomeou a pasta como o "ministério mais importante". Ciro foi nomeado chefe da pasta agosto de 2021,

Durante a pandemia e com a instalação da CPI da Covid, o parlamentar liderou um grupo de trabalhos para defender o governo Bolsonaro, que tinha ficado em minoria na Comissão Parlamentar de Inquérito.

Na época, em entrevista à CNN, chegou a dizer que o colegiado foi era "totalmente parcial" e que tinha sido criado "apenas para atacar o governo".

Banco Master

O ministro André Mendonça assumiu a relatoria do caso Master no STF após a saída de Dias Toffoli, que optou por deixar o caso, depois que a PF entregou a Edson Fachin - presidente da Suprema Corte - o relatório com dados extraídos do celular de Vorcaro. As mensagens periciadas trazem menções a supostos pagamentos direcionados a Toffoli.

Na decisão desta quinta-feira, Mendonça citou o nome de Nogueira, afirmando que ele teria recebido um envelope com uma sugestão de emenda parlamentar elaborada pelo Banco Master.

Se trata da chamada "emenda Master" (Emenda nº 11 à PEC nº 65/2023) - que já vinha sendo chamada de "pró-Master -  e buscava ampliar o limite de garantia do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.

Como mostrou a CNN, Vorcaro celebrou a emenda no momento da apresentação. “Ciro soltou um projeto de lei agora que é uma bomba atômica mercado financeiro [sic]! Ajuda os bancos médios e diminui poder dos grandes! Está todo mundo louco”, escreveu o banqueiro a um interlocutor em mensagem que foi interceptada pela PF.

Além disso, a investigação também revela mensagens que indicam o pagamento do que seria uma "mesada", com valores entre R$ 300 R$ 500 mil mensais ao senador. Os investigadores encontraram várias trocas de mensagens entre Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel, e o banqueiro em que eles falavam sobre os valores.