Molica: Radicais são bons para eleição; no governo, tendem a ser isolados

No quadro Liberdade de Opinião desta sexta-feira (21), comentarista Fernando Molica aborda comentários de Flávio Bolsonaro sobre eleições de 2022

Tamara Nassifda CNN*

em São Paulo

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No quadro Liberdade de Opinião desta sexta-feira (21), Fernando Molica analisou os comentários do senador Flávio Bolsonaro (PL) em entrevista à CNN na noite de quinta-feira sobre as eleições de 2022.

Para o comentarista, “é curiosa” a mudança de postura do presidente Jair Bolsonaro (PL), quando então pré-candidato em 2018 e, agora, candidato à reeleição em 2022.

“Lá, era o Bolsonaro que falava mal da política e do Centrão, em tentativa de demonizar a política. Agora, o panorama mudou, a ponto de Flávio Bolsonaro já falar em conversar com o Centrão e o União Brasil. Isso é muito típico de governos, que tendem a isolar seus radicais”, comentou Molica.

“Radicais são muito bons para eleição, mas, no governo em atuação, eles tendem a ser isolados pela dinâmica da política.”

Molica também analisou a movimentação do futuro partido União Brasil, que busca atrair o ex-juiz Sergio Moro, hoje presidenciável pelo Podemos, como cabeça de chapa.

Para Molica, o futuro partido, fruto da junção do PSL e do DEM, tem se tornado alvo de investidas de políticos de todas as grandezas por sua força em termos parlamentares: nas últimas eleições, 81 deputados foram eleitos na soma de ambas as siglas.

“É a noiva, ou o noivo, da vez”, brincou ele. “O senador Flávio Bolsonaro (PL), por exemplo, já fez acenos ao União Brasil, e mesmo o PT está conversando com o futuro vice-presidente do partido para alinhar questões regionais, como disputas acirradas na Bahia.”

No caso específico de Sergio Moro, Molica considera que o ex-juiz precisa de uma estrutura partidária maior para alavancar sua candidatura entre os presidenciáveis, ainda mais frente à polarizada competição entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL).

“O Podemos, atual partido de Moro, é de tamanho médio: tem uma boa representação no Senado, mas uma bancada menor na Câmara dos Deputados, o que implica em menor tempo de tela no horário eleitoral”, disse ele.

No entanto, na visão do comentarista, o candidato à Presidência encontra o mesmo problema em ambos os partidos. “Por seus erros e acertos enquanto juiz, Moro conquistou muitos inimigos, à esquerda e à direita. Ele condenou políticos à cadeia, e outros tantos se viram ameaçados pelo andamento da Lava Jato“, considerou Molica.

“Isso atrapalha a vida política dele tanto no Podemos, quanto no União Brasil, porque muitos não querem ter que fazer palanque para Moro e temem uma eventual eleição. Ele está em uma saia justa complicada, e vai ser difícil encontrar um partido que não tenha problemas com ele.”

Molica ainda comentou que, independentemente do partido, Moro precisa demonstrar “viabilidade eleitoral” nas pesquisas. “Não adianta ele trocar de sigla se não conseguir subir e fazer frente a Lula e Bolsonaro”, disse.

Questionado sobre como Moro poderia se firmar como uma “terceira via”, o comentarista disse que a “política é imprevisível e a própria eleição de Bolsonaro foi surpreendente”.

“Bolsonaro surfou em uma onda que o entendeu como o melhor intérprete para a onda de revolta e de sentimento antipolítica que havia no Brasil em 2018. Será que isso também pode acontecer com Moro? Por enquanto, temos que nos basear nas pesquisas, que são o retrato do momento, e ver se surgem fatos novos que possam fazer com que outros candidatos roubem espaço nessa polarização já muito bem estabelecida”, analisou.

Anvisa aprova uso da coronavac entre 6 e 17 anos

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou o uso emergencial da Coronavac para crianças entre 6 e 17 anos. A agência deixou claro que não recomenda a aplicação da vacina do Butantan em imunossuprimidos. O país passa a ter agora duas vacinas aprovadas para a imunização de crianças e adolescentes contra a Covid-19.

Gleisi Hoffmann fala sobre controle das mídias

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, concedeu entrevista à CNN na quinta-feira (20). Entre os diversos assuntos citados na entrevista, destacamos o controle das mídias. De acordo com a deputada federal, o partido sempre foi democrático e defendeu a liberdade de expressão e isso vai continuar nos valores da sigla.

*Sob supervisão de Murillo Ferrari.

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