Moraes determina que PF ouça Weintraub sobre declarações contra ministros do STF

Para ministro do STF, falas de Weintraub em uma entrevista “se assemelham às investigadas no âmbito” do inquérito das fake news

O ex-ministro da Educação Abraham Weintraub
O ex-ministro da Educação Abraham Weintraub Foto: José Cruz/Agência Brasil (3.dez.2019)

Gabriel Hirabahasida CNN

em Brasília

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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a Polícia Federal ouça o ex-ministro da Educação Abraham Weintraub sobre declarações dadas por ele a um podcast na semana passada. A decisão foi assinada no dia 21 e publicada nesta segunda-feira (24).

Segundo Moraes, as falas de Weintraub na entrevista “se assemelham às investigadas no âmbito” do inquérito das fake news, que apura a disseminação de notícias falsas e ataques a ministros da Suprema Corte.

“Em uma primeira análise, é possível constatar que as condutas perpetradas pelo entrevistado Abraham Weintraub se assemelham às investigadas no âmbito do Inquérito 4.781 [inquérito das fake news], razão pela qual se mostra necessária a adoção de medidas destinadas à completa elucidação dos fatos”, disse Moraes.

Na entrevista à qual Moraes se refere, Weintraub sugeriu que um ministro do STF teria tentado comprar sua casa, alegando que o ex-ministro da Educação não voltaria ao Brasil.

“Moro numa casa, num condomínio fechado, uma casa boa. Um juiz do STF estava procurando casa na região, dentro do condomínio. Viu a minha casa e falou: ‘Pô, casa bonita, hein? De quem é?’ Falaram: ‘Abraham Weintraub’. [O ministro do STF disse] ‘Pergunta para ele se não quer vender para mim’. [Falaram para ele] ‘Não está à venda’. [O ministro disse] ‘Pergunta se ele não quer vender para mim, já que ele não vai voltar para o Brasil’. O que acha disso? É adequado? Esse juiz me negou habeas corpus. Foi um dos dez que me negaram habeas corpus”, relatou Weintraub durante a entrevista ao canal de YouTube Inteligência LTDA.

Weintraub se mudou para os Estados Unidos em 2020, após se tornar investigado pelo STF por ataques aos ministros da Corte. O presidente Jair Bolsonaro o exonerou do Ministério da Educação, mas o indicou para um cargo no Banco Mundial em troca.

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