MPF manda PF abrir inquérito contra deputada do PL por "blackface"

Fabiana Bolsonaro pintou o corpo em plenário e criticou Erika Hilton em sessão na Alesp

Fernanda Fonseca, da CNN Brasil, Brasília
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O MPF (Ministério Público Federal) determinou a instauração de inquérito para investigar a deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL-SP) por suspeita de racismo e transfobia após discurso na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo).

A decisão foi assinada na sexta-feira (27) pelo procurador Michel François Drizul Havrenne, que determinou o envio do caso à PF (Polícia Federal) para aprofundar a apuração sobre a conduta da parlamentar.

A investigação tem como base uma notícia-crime apresentada ao MPF por integrantes da Bancada Feminista do PSOL. Segundo a representação, Fabiana teria realizado “blackface” — ao pintar o corpo com base para simular pele negra — e feito declarações discriminatórias contra a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP).

As falas ocorreram durante sessão ordinária da Alesp, em 18 de março. Segundo a deputada, ela estava realizando um “experimento social” para questionar a escolha de Hilton para presidir a Comissão da Mulher na Câmara dos Deputados.

Na decisão, o procurador afirma que há necessidade de “maiores investigações acerca dos fatos” e, por isso, determinou a abertura do inquérito policial na PF.

Como diligência inicial, o MPF pediu a oitiva das deputadas Fabiana Bolsonaro, Monica Seixas e Ediane Maria, que participaram da sessão.

A representação também levanta a possibilidade de irregularidades na autodeclaração racial da parlamentar em eleições anteriores, o que pode indicar eventual uso indevido de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha.

Relembre o caso

Ao se maquiar, Fabiana iniciou o discurso dizendo: “Trouxe o meu espelho, amarro os meus cabelos, e aqui eu vou fazer um experimento social”.

Na sequência, questionou: “Eu, sendo uma pessoa branca, vivendo tudo o que eu vivi como uma pessoa branca, agora, aos 32 anos, decidi me maquiar, me travestir como uma pessoa negra. Eu virei negra?”

No final do discurso, Fabiana Bolsonaro criticou o fato de a deputada federal Erika Hilton se tornar presidente da Comissão da Mulher. “A gente viu agora, essa semana, na Comissão Federal, lá em Brasília, que uma mulher trans, Erika Hilton, foi colocada como presidente da Comissão da Mulher [...] uma trans está tirando o espaço de fala de uma mulher. Assim como várias outras estão tirando”, declarou.

O ato foi motivo de críticas de diversos parlamentares nas redes sociais.

Quem é a deputada Fabiana Bolsonaro?

Nascida e criada na cidade de Barrinha, interior de São Paulo, se elegeu deputada estadual em São Paulo com 65.497 votos pelo PL (Partido Liberal). Sem parentesco com a família Bolsonaro, Fabiana de Lima Barroso Souza adotou “Bolsonaro” como nome político.

A parlamentar declara, nas redes sociais, ser de extrema direita, anti-ideologias, cristã e conservadora. Defensora das pautas contra o aborto e contra as drogas, a deputada é formada em Direito e atualmente cursa duas faculdades: Jornalismo e Gestão Pública.